Na Venezuela, sistema educacional entra em falência e alunos desmaiam de fome nas escolas

Foto: ADRIANA LOUREIRO FERNANDEZ / NYT

Centenas de crianças lotaram o pátio de uma escola na Venezuela para rezar, junto com um bispo católico, por sua educação. Quinze minutos depois, quando o religioso terminou sua reza, cinco crianças haviam desmaiado. Duas delas precisaram ser removidas do local em ambulâncias.

Os desmaios na escola primária de Boca de Uchire se transformaram em algo regular, pois muitos alunos vão para as aulas sem ter tomado café da manhã ou jantado na noite anterior. Em outras escolas, os alunos procuram saber se haverá comida antes de decidir se comparecerão ou não às atividades do dia.

— Não é possível educar pessoas esqueléticas e famintas — disse Maira Marín, professora e líder sindical da cidade.

A devastadora crise econômica que toma conta da Venezuela há seis anos está afetando o sistema educacional do país. Outrora, a educação pública era a menina dos olhos dos venezuelanos e fazia com que o país tivesse uma das maiores mobilidades sociais da América Latina. Em um passado não tão longínquo, até mesmo crianças de áreas remotas tinham boas chances de ingressar nas melhores universidades do país.

A fome é apenas um dos vários problemas que as atrapalham neste momento. Milhões de venezuelanos abandonaram o país nos últimos anos, desfalcando o número de professores e estudantes. Muitos dos educadores que continuam na Venezuela se viram forçados a mudar de profissão, pois seus salários tornaram-se praticamente sem valor após anos de hiperinflação. Escolas que antes tinham milhares de alunos hoje têm menos de cem.

O colapso do sistema educacional do país não está apenas condenando uma geração inteira à pobreza, mas arrisca também fazer retroceder em décadas o desenvolvimento e reduzir severamente o potencial de crescimento, afirmam especialistas e professores.

— Uma geração inteira está ficando para trás — disse Luis Bravo, que pesquisa educação na Universidade Central da Venezuela, em Caracas. — O sistema educacional de hoje não permite que as crianças se tornem membros relevantes da sociedade.

O governo de Nicolás Maduro parou de divulgar suas estatísticas educacionais em 2014, mas visitas a mais de dez escolas em cinco estados, além de entrevistas com dezenas de pais e professores, indicam que o comparecimento à escola despencou neste ano. Muitos centros de ensino também estão fechando suas portas.

A situação é uma grande vergonha para o autoproclamado governo socialista, que há muitos anos prega a inclusão social. A situação contrasta com a de outros países nos quais dirigentes venezuelanos sempre disseram se inspirar — Cuba e Rússia. Tanto Moscou quanto Havana foram capazes de proteger seu ensino básico e os alunos durante os piores momentos das crises econômicas que enfrentaram nos anos 1990.

O comparecimento à escola começou a reduzir logo após Maduro chegar ao poder, em 2013. A queda no preço do principal produto de exportação da Venezuela, o petróleo, combinado aos fracassados esforços do governo para controlar o custo de vida fizeram com que a economia local ingressasse em uma recessão da qual ainda não conseguiu sair.

Algumas crianças venezuelanas estão ficando em casa porque muitas escolas pararam de fornecer refeições ou porque seus pais não podem mais arcar com os custos de uniformes, materiais escolares ou até mesmo com a passagem do ônibus. Outras se juntaram a seus pais em uma das maiores crises imigratórias recentes: segundo a ONU, cerca de quatro milhões de pessoas já abandonaram o país desde 2015.

De acordo com o sindicato nacional dos professores, milhares dos 550 mil educadores venezuelanos não compareceram às escolas em setembro, quando o ano letivo atual teve início. Eles abriram mão de seu salário mensal de US$ 8 (cerca de R$ 33,92) para tentar a sorte no exterior ou em minas ilegais de ouro , algo em ascensão no país.

No estado de Zulia, o mais populoso da Venezuela, cerca de 60% dos 65 mil professores abandonaram a profissão nos últimos anos, segundo estimativas do dirigente do sindicato local de professores, Alexander Castro:

— Eles nos dizem que preferem trabalhar pintando unhas por alguns dólares a trabalhar por um salário mínimo — disse Castro.

Para que as escolas continuem funcionando, os professores que permanecem geralmente ensinam todas as matérias ou juntam, em uma mesma sala, alunos de séries diferentes. Quase todas as 12 escolas visitadas reduziram suas jornadas de funcionamento. Algumas delas abrem apenas um ou dois dias na semana.

No vilarejo de Parmana, no centro do país, apenas quatro dos 150 alunos matriculados foram à escola em outubro. De idades variadas, os estudantes se sentavam na mesma sala sem eletricidade, praticando assuntos diversos desde o alfabeto até álgebra, ensinados por um único professor que buscava encorajá-los com um sorriso abatido.

O restante das crianças da região se juntou aos seus pais na agricultura e nos barcos de pesca para ajudar a alimentar suas famílias.

Recentemente, em Maracaibo, segunda maior cidade do país, um letreiro na fachada de uma escola sem eletricidade dizia: “Por favor, venham às aulas, mesmo sem uniformes”. Na entrada, as crianças perguntam aos professores se há comida antes de decidirem se irão ou não assistir às aulas.

Os banheiros da maior escola da cidade nem sequer funcionam mais. Projetada para atender a 3 mil alunos, hoje o centro de ensino tem apenas 100.

Em Santa Bárbara, subúrbio de Caracas, metade dos professores de uma escola não voltou às aulas em setembro. O diretor se viu forçado a convocar pais voluntários para que os alunos pudessem continuar a ter aulas. No outro lado da capital, em Rio Chico, metade das classes estão vazias por falta de estudantes e educadores. Quando os alunos chegam, perguntam primeiro sobre a merendeira, disseram os professores restantes.

As medidas populistas de Chávez, no entanto, focavam mais na quantidade de estudantes que na qualidade de sua educação. Conforme os cofres públicos se esvaziavam, seu programa educacional foi por água abaixo.

Mesmo frente à queda no comparecimento, Maduro continuou a afirma que seu governo estava focado nos gastos com a educação, apesar da “brutal guerra comercial” realizada por seus inimigos.

— Na Venezuela, nem sequer uma escola fechou ou irá fechar. Nenhuma sala de aula — disse o presidente, em um discurso televisionado em abril. — Nós nunca negaremos acesso à educação.

Para aumentar o número de professores, Maduro prometeu, em agosto, enviar milhares de integrantes do partido governista para as salas de aula. Especialistas em educação, no entanto, disseram que poucos desses militantes adicionarão algum valor pedagógico ou serão, de fato, enviados às escolas.

Ao mesmo tempo, o número de professores de verdade está diminuindo. A quantidade de graduados no principal centro de treinamento de professores do país, a Universidade Pedagógica Experimental Libertador, caiu 70% entre 2014 e 2018.

Ao, na prática, dolarizar a economia venezuelana, Maduro permitiu neste ano que muitos funcionários públicos conseguissem uma renda extra ao cobrar em dólares por seus serviços. Isso, no entanto, trouxe poucos benefícios para os professores da rede pública de ensino em lugares mais pobres, onde as famílias de alunos têm pouco acesso a moedas estrangeiras.

Em Boca de Uchire, a família Caruto parou de mandar suas crianças para a escola quando o refeitório não funciona.

— Eu não posso enviá-los para a escola com fome — disse José Luis Caruto, que está desempregado e é pai de duas crianças.

Sua irmã, Yuxi, de 17 anos, foi a última da família a parar de frequentar a escola, já que não conseguia arcar com os custos da passagem de ônibus. Ela tentou retomar seus estudos em um centro comunitário local, mas os professores pararam de aparecer na segunda semana de aula. Agora, ela passa os dias cuidando do filho de 1 ano.

— Eu quero aprender matemática, saber ler e escrever rapidamente. Eu tenho medo de não saber respoder quando o meu filho crescer e começar a fazer perguntas. Agora, no entanto, nós nem temos o que comer — disse Yuxi.

O Globo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Braulino Francisco disse:

    É o começo de um Holocausto oficial autorizado por nossa Esquerda silenciosa. Ou seria um Holodomor bolivariano? Pobres crianças! Pobres pais que não têm de onde tirar alimento, roupas e remédios para os filhos. É uma tragédia humana. É muito triste.

  2. vilanir gurgel disse:

    Se o PT não saisse do poder em pouco tempo o Brasil ficaria assim.

  3. Francisco disse:

    Acho que é essa o modelo de escola que Fátima quer trazer pra cá, já que refutou a instalação de qualquer escola militar no estado do RN.

  4. Pedro disse:

    Onde estão os socialistas de araque, safados comunistas, petistas analfabetos e por aí vai? Sei que o cabeça (nove dedos) está na rua, com o tesão a mil, as contas nos paraísos fiscais repleta do que ele gosta (dinda) e tem um bando de bestas querendo defender o marginal.

  5. Triste Realidade disse:

    Essa é a realidade do socialismo, TODOS IGUAIS NA MAIS ABSOLUTA MISÉRIA!
    NUNCA foi diferente em lugar nenhum do mundo onde o socialismo virou forma de governo.
    Pobre povo venezuelano que se deixou ENCANTAR PELA MENTIRAS REPETIDAS de seu soberano e ditador que PROMETEU O CÉU e está entregando a MISÉRIA em todos os sentidos.

    • Neco disse:

      Todos iguais, nada, meu fi. Sempe tem os "mais iguais que os outros". A alta nomenklatura e seus associados vivem como nababos. Lá são os boliburgueses e enchufados.

  6. joaozinho disse:

    Esse deve ser a copia do programa assistencialista fome zero petista implantado na Venezuela. Muitas cotas, bolsa ração, educacao de primeira segundo a propaganda. Afinal, povo zumbi e morto nao tem fome. Nao demoraria tanto para acontecer aqui no país, pra os nossos doutrinadores educadores entenderem o resultado da desgraca da propaganda que eles tanto pregam como sendo boa. Aqui no RN, estes mesmos doutrinadores pedagogos nao quebram mais a porta da governadoria, sinal que estao felizes e nao podem reclamar da qualidade da educacao do RN e dos salarios. Enquanto isso Paloci delata mais alguns petista…

  7. #Lula Na Cadeia sempre disse:

    Era o exemplo que o FDP do ladrao condenado Lula Queria trazer para o nosso país , cadê que esses vermes PTralhas passeam ou querem turistar na VENEZUELA???

Desembargador suspende decisão de falência da Multdia

Foto: Reprodução

O desembargador do tribunal de Justiça Dilermando Motta, suspendeu a decisão do juiz Felipe Barros que desde o último mês de julho havia decretado a falência da empresa Multdia, que nos últimos anos acumula crises e dívidas, longe do auge no início dos anos 2000.

Mesmo com o juiz de primeira instância apontando argumentos de que nos últimos quatro anos a empresa não havia cumprido acordos judiciais e não seria mais possível a sua recuperação, Dilermando decidiu que havia a necessidade de maior dilação probatória, capaz de atestar a efetiva “inviabilidade de manutenção da atividade da Multdia’”.

Leia matéria completa aqui no Justiça Potiguar.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Alfredo disse:

    O desembargador que envergonhou sua classe na humilhação que fez a um garçom da Mercatto.

Multdia esclarece informações falsas sobre falência

Em esclarecimento à matéria publicada neste Blog, o Grupo GCF, detentor da empresa Multdia Indústria e Comércio S.A. e de sua controladora, João de Barro Vinhedo Administradora Ltda., esclarece em nome do presidente Carlos Faria:

As informações publicadas na matéria em questão não são verídicas, pois não foram fornecidas oficialmente pelo presidente Carlos Faria, proprietário legítimo da empresa Multdia e de todas as marcas que compõem o portfólio de produtos da indústria. Portanto, cabe esclarecer os seguintes pontos:

• Ainda na gestão do Sr. Eduardo Patrício, em conjunto com o fundo de investimento para o qual havia vendido parte das ações, a Multdia entrou com pedido de recuperação judicial em novembro de 2015 e, no dia 16 de dezembro do mesmo ano, demitiu todos os funcionários e encerrou suas atividades.

• A aquisição da Multdia pela atual controladora foi deferida pelo Juízo da recuperação em 28 de novembro de 2017, tendo os atos societários sido arquivados no registro competente da junta comercial do Rio Grande do Norte apenas em março de 2018, sendo que, em aproximadamente 1 ano depois, houve a combatida decisão de convolar em falência a recuperação da Companhia. A venda foi feita por Eduardo Patrício, que recebeu o valor integral pela venda das ações, pois, após o pedido de recuperação, havia recomprado a Multdia do fundo de investimento para o qual havia vendido parte das ações anos antes.

• Quanto aos acordos feitos nas reclamações trabalhistas anteriores, a empresa João de Barro já pagou até o momento R$ 918.917,98, tendo proposto o pagamento do saldo remanescente até dezembro de 2019. Vale registrar que no acordo trabalhista realizado, a João de Barro ofertou imóvel que garante integralmente os débitos e, ainda, sobre os supostos pagamentos do acordo não efetivados, tudo será devidamente esclarecido no momento oportuno, pois se tratavam de programação de pagamento não realizadas.

• Até o mês de agosto, a Multdia pagou o salário dos funcionários e o serviço de portaria. A energia elétrica está restituída e já foram investidos mais de R$ 1milhão em melhorias nas instalações, que estavam deterioradas desde a compra pela João de Barro. Desde o início do ano de 2019, a Multdia, por meio de acordos operacionais, tem retomado a produção de parte de seus produtos, gerando receita, o que não acontecia desde novembro de 2015.

• A íntegra do recurso apresentado ao Tribunal de Justiça apresenta de forma fidedigna a sucessão dos fatos ocorridos, suas responsabilidades, esforços empreendidos pelo atual controlador na busca da reestruturação da Multdia, com o compromisso e o firme propósito de retomada de suas atividades empresariais, geração de empregos diretos e indiretos, além de proporcionar arrecadação aos cofres públicos, entre outros.

Dst forma, a Multdia reforça a confiança na Justiça para necessária reversão da decisão equivocada proferida em primeira instância, nos estritos termos da legislação, de acordo com os fundamentos legais expostos no recurso, visando a retomada e o crescimento da Companhia.

Carlos Faria
CEO e Fundador do Grupo GCF
Presidente da Multdia Ind. E Com. S/A

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Eduardo Patricio disse:

    1 Comentário

    Eduardo Patricio

    Em relação a nota de esclarecimento acima só tenho a comentar uma coisa:
    O estado do RN não merece este tipo de empresário, e para fundamentar o que afirmo peço que leiam a decisão do Dr. Felipe (juiz da comarca de Macaiba) onde ele cirurgicamente fundamenta a sua decisão. A mentira jamais se sobrepora as verdades dos fatos!
    O Sr. Carlos Faria publicou está mesma nota de esclarecimento ontem no Blog de Flavio Marinho, peça a ele os comprovantes de pagamento dos funcionários que ele disse que havia pago, comprovantes e datas dos pagamentos.
    Peço que o Sr. Bruno Giovanni publique a decisão do Dr. Felipe ( Juiz da comarca de Macaiba)

Mesmo sem cumprir decisão judicial e acumulando dívidas, empresa que adquiriu Multdia tenta reverter falência

Foto: Reprodução

Longe do auge que protagonizou no início dos anos 2000, a indústria Multdia agoniza em meio a batalhas judiciais, e mesmo com a decretação da falência em decisão do último dia 19 de julho, e sem cumprir com as obrigações legais como o pagamento de funcionários, quitação de impostos, dívidas acumuladas com os fornecedores e descumprindo acordos com a Justiça do Trabalho, a defesa do grupo João de Barro que administra a companhia desde 2015, entrou com agravo de instrumento direcionado ao presidente do Tribunal de Justiça do RN, desembargador João Rebouças para efeito suspensivo da decisão de falência, que mostrou que nos últimos quatro anos a empresa não fez nada para reverter.

O Justiça Potiguar teve acesso à peça judicial em que o pedido da defesa sugere alguns argumentos para que a falência seja revertida. Segundo o pedido, o prazo do recurso se encerraria somente na próxima terça-feira, 3 de setembro. A peça levanta o histórico de ações judiciais que tramitavam desde 2015 com as negociações judiciais que envolviam a empresa e seus credores. Confira aqui texto na íntegra.

Justiça decreta falência da indústria Multdia

A Justiça decretou, lamentavelmente, a falência da empresa Multdia – uma das maiores indústrias que o Rio Grande do Norte já teve.

Pelo que o blog apurou, a decisão, assinada pelo juiz Felipe Barros nesta sexta-feira(19), não atinge o ex-proprietários, no caso, o empresário Eduardo Patrício. Só a empresa João de Barro – não retroagindo os efeitos.

História

A Multidia chegou a empregar mais de 600 pessoas em meados dos anos 2000. Chegou a competir com as maiores empresas de farináceos do Brasil no Nordeste. Capitaneada pelo empresário Eduardo Patrício, começou suas dificuldades a partir de 2010, quando foi comprada por um fundo de investimentos que não deu sequência.

Desfecho

Em 2017, após pedido recuperação judicial, foi adquirida pela empresa João de Barro Vieira Administradora que, segundo a justiça, por diversas vezes, descumpriu acordos celebrados e não deu funcionamento a empresa como acordado no momento da aquisição, inclusive no que tange ao pagamento de dívidas trabalhista em acordo celebrado com a justiça do trabalho.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Cigano Lulu disse:

    Que notícia triste, tem colunistas sociais se sentindo viúvas com a debacle da fábrica de farináceos.
    Mas a vida é assim mesmo, depois de uma multidia há sempre uma multnoite.

  2. Wagner disse:

    Kkkkk, Só atingiu João de Barro foi boa, eita Brasil sem jeito

  3. Eduardo disse:

    Conta outra BG, o Eduardo Patrício afundou a empresa deve a Deus e o mundo e não atingiu ele, kkkkk
    Botaram um fundo fantasma

  4. Francisco disse:

    O nosso Rn descendo a ladeira feito caminhão sem freios é de pior a pior.

  5. Tarcísio Eimar disse:

    É uma pena. Assisti a entrevista falando do empresário Eduardo Patriota, que tanto lutou por essa fábrica e agora chegou ao fim.

Ato público para denunciar situação de falência dos municípios acontece dia 21, em Natal

2627028bcaf815f8db6983884aa70a34O deputado Tomba Farias (PSB) convocou os deputados a participarem, no dia 21 de outubro, em Natal, de ato público para denunciar a situação de falência dos municípios que está sendo organizado pelo parlamentar e entidades ligadas às cidades e Câmaras Municipais do Rio Grande do Norte. O impacto nos cofres dos municípios, provocado pela queda nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), levou 92% das cidades do Brasil a infringirem a Lei da Responsabilidade Fiscal. De acordo com pesquisa realizada com 85,5% dos municípios brasileiros, quase 50% estão com os pagamentos de fornecedores atrasados em mais de 65 dias; 11,1% desse total estão com seus salários atrasados numa média de 38 dias e 19% não conseguiu implantar o piso nacional do magistério.

“Diante desse percentual tão alto a gente pergunta quem são os culpados. O Governo Federal precisa rever essa situação. A queda do FPM é clara. A classe política precisa se unir e lutar pelo Pacto Federativo para salvar os municípios que estão à beira da falência”, clamou.

O objetivo do encontro é reunir prefeitos e vereadores, mobilizar os meios de comunicação e atrair a atenção da população e do Congresso Nacional para o grave momento vivido pelos municípios. Um diagnóstico sobre a crise dos será elaborado e distribuído para que a população tome conhecimento dos graves efeitos que a crise financeira provoca sobre os serviços prestados pelas Prefeituras e os prejuízos que acarreta à população. “Que esse dia seja um marco para que possamos salvar os municípios que estão a beira da falência”, finalizou.

AL-RN

Pedido de Recuperação da Uvifrios ainda não foi decidido

A juíza Lina Flávia Cunha de Oliveira, da 1ª Vara Cível de Parnamirim, deferiu o processamento de recuperação judicial da Uvifrios Distribuidor Atacadista Ltda, uma fase processual que antecede a decisão efetiva sobre o pedido de restabelecimento da empresa.

Na decisão, a magistrada procedeu algumas determinações, em consonância com o art. 52 da Lei de Recuperação Judicial e Falência, entre elas a nomeação de Fernando Colares dos Santos na condição de administrador judicial do empreendimento.

Uma outra medida tomada pela magistrada foi dispensar a apresentação de certidões negativas para que a empresa devedora passasse a exercer suas atividades, exceto para contratação com o Poder Público ou para recebimento de benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. Ela deve, no entanto, acrescer em todos os atos e contratos e documentos firmados, a expressão “em recuperação judicial”.

As ações e execuções contra a Uvifrios ficaram, a partir da decisão, suspensas por um prazo que não excederá os 180 dias. A empresa deverá, por outro lado, apresentar as contas demonstrativas mensais, enquanto perdurar a recuperação judicial, sob pena de destituição dos atuais administradores.

A juíza Lina Flávia esclareceu, porém, que a fase atual é de processamento e não de recuperação judicial em si. Antes disso, a Secretaria da 1ª Vara Cível procederá ainda com a expedição de edital, para publicação no órgão oficial, com todos os credores da empresa e os valores a serem recebidos. “Se não houver a necessidade de novas diligências deverei decidir sobre o pedido após esta publicação”, explicou a magistrada.

Riograndense confirma falência e discute medidas emergenciais

A notícia está no site da Tribuna do Norte. A empresa Riograndense, responsável por três linhas de ônibus urbanos (03, 28 e 45) da cidade, confirma o fim de suas atividades. De acordo com motoristas da empresa, o anúncio foi dado através de um aviso impresso e colado nas garagens dos ônibus e a única coisa que sabem é que na próxima terça (14) haverá uma reunião na Delegacia Regional de Trabalho para discutir a recisão dos contratos.

A decisão foi tomada na noite do sábado (11), quando o dono da Riograndense, José Venâncio Flor, chegou à garagem dos ônibus urbanos, no bairro Nova Natal, às 23h15, com a ordem de levar 16 ônibus para as demais garagens da empresa, na Cidade da Esperança e em Parnamirim, impedindo até mesmo de que a última viagem fosse realizada.

Aerton Ramalho, 50 anos, é motorista da empresa há 18 anos e afirma que “se a empresa não quiser mais trabalhar, os funcionários podem montar uma comissão para operar as três linhas”, arcando com os gastos necessários. As três linhas juntas são responsáveis pelo transporte de uma média de 15 mil pessoas por dia e, ainda de acordo com o motorista Aerton Ramalho, cerca de 30 viagens deixavam de ser feitas diariamente por falta de manutenção dos ônibus.

Passageiros das linhas 03-Campus, 45 e 132-Jardim Petrópolis foram prejudicados pela interrupção do serviço neste domingo. De acordo com o secretário Márcio Sá, da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), o comunicado oficial da empresa informando a falência chegou apenas às 10h30 da manhã desta segunda-feira (13). O secretário disse ainda que às 15h de hoje haverá uma reunião com o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros do Município do Natal (Seturn) e provavelmente com representantes da Riograndense, para discutir quais medidas serão tomadas para suprir esta necessidade de forma emergencial.

A Semob acredita que as medidas emergenciais e especiais – como extensão de linhas já existentes, cotação de circulares e, até mesmo, outorga de uma autorização precária para que outra empresa possa operar as linhas – passarão a ser tomadas a partir desta terça-feira (14), mas diz que só pode garantir após a reunião que acontecerá nesta tarde. A principal recomendação da Secretaria é que as pessoas que costumam utilizar estas linhas façam a integração através de ônibus que tenham trajeto próximo aos das linhas momentaneamente suspensas.

Intermunicipais

A empresa apesar de ter suspendido as atividades das linhas urbanas, nesta manhã circulava com os ônibus intermunicipais, no percurso Natal-Nova Cruz. Devido à suspensão dos ônibus urbanos, os motoristas da empresa decidiram recolher todos os ônibus da Riograndense, tirando-a totalmente de circulação, levando, consequentemente, à suspensão das passagens intermunicipais na rodoviária. Os passageiros devem procurar outras alternativas até que a circulação volte ao normal.

Empresa de ônibus Rio Grandense pede falência; funcionários são surpreendidos

Cobradores e motoristas que foram trabalhar no início da manhã deste domingo foram pegos de surpresa ao não encontrarem os ônibus da Viação Rio Grandense na garagem por volta das 4h.

Segundo o motorista Hélio Ferreira, o dono da empresa,José Venâncio Flor, chegou na sede a meia-noite e levou os ônibus para Parnamirim e Cidade da Esperança. A informação não chegou por um comunicado oficial, mas sim por meio de um funcionário que ficou encarregado de passar o que tinha acontecidos aos demais colegas.

“Chegamos para trabalhar e não vimos os ônibus. É estranho eles decretarem falência quando não houve indício de que isso ia acontecer. Eles estavam pagando nossos salários e o vale-alimentação normalmente”, disse Hélio Ferreira.

Hélio confirmou também que o dono da empresa agendou reunião com todos os funcionário na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) na próxima terça-feira, às 11h. Mas antes, amanhã a partir das 4h, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Rio Grande do Norte (SINTRO) vai estar na garagem da empresa em apoio aos funcionários que trabalhavam na Rio Grandense.

Com a interrupção do serviço hoje, usuários que costumam pegar os ônibus das linhas 03-Campus, 45 e 132-jardim Petrópolis estão sendo prejudicados.

 

Fonte: Tribuna do Norte

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Moisestomaz disse:

    ficamos sem as linhas 03- 28 – 45 e 132

  2. Camilotur disse:

    é uma uma grande pecar para Natal e o RN pois foi uma das melhores empresa em transporte do nosso estado….

Número de pedidos de falência é o maior para o mês de maio desde 2009

O número de pedidos de falência voltou a crescer em maio. Segundo a Serasa Experian, os pedidos passaram de 165 em abril para 203 em maio. Esse foi o maior número já registrado para o mês desde maio de 2009, quando foram efetuados 255 requerimentos. Segundo os dados, em maio do ano passado foram feitos 168 pedidos de falência.

Dos 203 requerimentos de falência, 105 foram de micro e pequenas empresas, 67 de médias e 31 de grandes. De acordo com os economistas da Serasa, o baixo crescimento econômico, as incertezas globais e o impacto gradual das medidas de estímulo ao consumo estão ampliando as pressões sobre a cobrança de débitos empresariais, gerando maior volume de falências requeridas.

“Vale ressaltar que esse aumento das falências requeridas em relação às decretadas e às recuperações judiciais requeridas caracteriza a sua utilização como instrumento de cobrança”, informa, em nota, a Serasa.

Os dados mostram ainda que as recuperações judiciais requeridas também evoluíram chegando a 82. Esse foi o maior número para o mês de maio desde a edição da nova Lei de Falências, há sete anos. Em abril foram registrados 57 requerimentos e, em maio do ano passado, 51.

Fonte: Agência Brasil