Cai mais um ministro; Orlando Silva entregará carta de demissão a Dilma

O ministro do Esporte, Orlando Silva, vai entregar sua carta de demissão na tarde desta quarta-feira em encontro com a presidente Dilma Rousseff. O ministro participou no início desta manhã de uma reunião no Palácio do Planalto para discutir o agravamento de sua situação, com a abertura do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar as denúncias de desvio de verbas do Programa Segundo Tempo . O nome de consenso do PCdoB para substituí-lo é o de Aldo Rebelo, ex-ministro de Relações Institucionais do governo Lula.

Participaram da reunião o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, além dos líderes do partido na Câmara, Osmar Júnior, e no Senado, Inácio Arruda.

Antes da reunião, o presidente do PCdoB teve uma longa conversa com Orlando, já para avaliar o cenário contra o ministro. Na segunda-feira, a avaliação do Planalto era de que o partido deveria conduzir saída do ministro .

Em reunião da cúpula do PCdoB na terça-feira à noite, na casa do deputado Aldo Rebelo (SP), os integrantes do partido jogaram a toalha e decidiram que não havia mais como sustentar a permanência de Orlando Silva. Depois de muita discussão com o presidente do partido e outros líderes, o nome de consenso para substituir Orlando era o do ex-ministro Aldo Rebelo.

– A unanimidade da bancada concluiu que a situação era insustentável e estava atingindo o partido como um todo. Num primeiro momento, a decisão era se unir em torno do nome de Orlando porque todo mundo achava que era tudo mentira, e ainda acha. Mas ele perdeu todas as condições políticas de continuar no cargo. Na reunião a coisa se afunilou para o nome do Aldo – contou um dos parlamentares presentes à reunião.

Fonte: O Globo

PM chama Ministro do Esporte de "bandido"

O soldado da Polícia Militar do Distrito Federal que acusou o ministro dos Esportes, Orlando Silva, de participar de desvios de recursos do ministério, chamou-o neste domingo (16) de “bandido”, em mensagem postada em seu blog na internet.

João Dias Ferreira disse que tem como provar as acusações que fez à revista “Veja”.

“O que falei pra revista está devidamente gravado e será apresentado às autoridades competentes.”

Numa mensagem dirigida ao ministro, Ferreira afirmou: “Você está equivocado, eu não sou bandido, bandido é você e sua quadrilha que faz e refaz qualquer processo do ministério de acordo com sua conveniência e você sabe muito bem disso!”

O soldado da PM, que em 2006 foi candidato derrotado a deputado distrital pelo PC do B em Brasília, também fez uma ameaça à direção nacional do partido, que ontem soltou uma nota em apoio ao ministro.

“Sugestão: era bom o PC do B nacional ficar calado antes de sair em defesa do Orlando sumariamente.”

Em entrevista publicada ontem pela “Veja”, o soldado Ferreira afirma que Orlando Silva tinha participação direta num esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo, que distribui recursos a ONGs para projetos de incentivo à prática de esportes por jovens.

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Procuradores encontraram "fatos novos" ao examinar os negócios particulares de Palocci

O Ministério Público Federal prepara-se para abrir um inquérito criminal para investigar a atuação do ex-ministro Antonio Palocci como consultor de empresas, informa reportagem de Andreza Matais e Felipe Seligman, publicada na Folha desta terça-feira.

Procuradores que analisam o caso informaram a Procuradoria-Geral da República de sua intenção e relataram que encontraram “fatos novos” ao examinar os negócios particulares de Palocci.

Palocci deixou a Casa Civil em junho do ano passado, após a Folha revelar que ele multiplicou seu patrimônio por 20 entre 2006 e 2010, quando foi deputado federal e manteve, paralelamente, uma consultoria privada.

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Ministro manda R$ 1 milhão em emenda a firma-fantasma

Josias de Souza

Sempre que instado a comentar o escândalo de sua pasta, o ministro Pedro Novais (Turismo) sapeca: a encrenca é de 2009, antes de eu virar ministro. Como poderia saber?

As explicações de Novais ainda nem sedimentaram e já surge ao redor do ministro um escândalo seminovo.

É muito parecido com o antigo. Envolve emenda de parlamentar, convênio e verba pública desviada. A diferença é que, dessa vez, Novais terá mais dificuldades para dizer que n!ão sabia.

O autor da emenda que nutre o malfeito é ninguém menos que o deputado Pedro Novais (PMDB-MA).

O caso vem à luz graças ao trabalho de uma tróica de repórtres: Dimmi Amora, Andreza Matais, Felipe Seligman.

Informam, na Folha: antes de virar ministro, Novaes mandou aos cofres do Turismo emendas orçamentárias.

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Ministro da Agricultura Wagner Rossi pede demissão

estadão.com.br

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, enviou carta de demissão à presidente Dilma Rousseff, nesta quarta-feira, 17, após a Polícia Federal anunciar investigação sobre as denúncias contra a pasta. Depois de Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes) e Nelson Jobim (Defesa), Rossi é o quarto ministro a sair do governo em oito meses.

A relação do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, com o lobista Júlio Fróes – que teria atuado durante meses dentro do ministério – será investigada pela Polícia Federal. Um inquérito foi aberto na segunda-feira, 15, e o ex-presidente da Comissão de Licitação do ministério Israel Batista já prestou depoimento. Dentre as denuncias que surgiram na imprensa contra o ministério,  estão o uso eleitoral da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e suposto tráfico de influência.

Além disso, o jornal Correio Braziliense denunciou que Rossi teria utilizado um avião de uma empresa que depende de autorizações do Ministério da Agricultura para vender seus produtos. A Ourofino Agronegócio trabalha com agrotóxicos, sementes e saúde animal e colocou à disposição do ministro e de seu filho Baleia Rossi (PMDB-SP), deputado estadual, um avião Embraer Phenon 100 avaliado em US$ 7 milhões.

Leiam a carta de demissão de Wagner Rossi:

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Empresa do filho do Ministro em dois anos pula de um capital de R$ 60 mil para R$ 52 Milhões

O arquiteto Gustavo Morais Pereira, 27, filho do ministro Alfredo Nascimento (Transportes), é alvo de investigação do Ministério Público Federal.

Apura-se a suspeita de enriquecimento ilícito. No miolo do processo, está a Forma Construções, uma das empresas de Gustavo.

Em dois anos de funcionamento, de 2005 a 2007, a Forma foi submetida a um inusitado regime de engorda.

Nascida com um capital social de R$ 60 mil, a firma do filho do ministro amealhou patrimônio de mais de R$ 52,3 milhões. Cresceu 86.500%.

Deve-se a informação aos repórteres Jailton de Carvalho e Gerson Camarotti. Em notícia veiculada nesta quarta (6), a dupla relata:

1. A investigação da Procuradoria foi aberta no Amazonas, ano passado. Nasceu de um negócio celebrado entre Gustavo e a firma SC Carvalho Transportes e Construções.

2. Beneficiária de verbas do ministério gerido pelo pai de Gustavo, a SC Carvalho repassou à empresa do filho do ministro R$ 450 mil.

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Ministro Alfredo Nascimento deve cair hoje

Estadão:

O afastamento da cúpula do Ministério dos Transportes por suspeita de corrupção pela presidente Dilma Rousseff no final de semana deixou o ministro Alfredo Nascimento em posição insustentável no comando da pasta, na avaliação de aliados do Palácio do Planalto no Congresso. A queda do ministro é esperada em breve pelos governistas e a oposição avalia a apresentação de um pedido de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso.

A rapidez com que Dilma atuou no episódio levantou ressentimentos na base. Parlamentares aliados previam, ontem, dificuldades futuras para a presidente na relação com os partidos que a apoiam no Legislativo. Eles sustentam que a presidente humilhou o PR, que comanda o Ministério dos Transportes, e fragilizou a confiança com a base pela forma com que agiu.

Dilma anunciou o afastamento assim que a revista Veja começou a circular com a denúncia sobre um esquema de cobrança de propinas na pasta, na manhã de sábado, sem dar chance ou prazo para explicações ao ministro Alfredo Nascimento. Esses fatos, avaliam governistas, revelam que Dilma já pretendia fazer mudanças no ministério e aproveitou a oportunidade.

Nos bastidores, as desconfianças com a presidente vão além. Setores da base afirmam não ter dúvidas de que as informações sobre o suposto esquema foram passadas à revista por integrantes do próprio governo.

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O Desempenho "extraordinário" do Ministro do Turismo

Ganha um bilhete só de ida para o Maranhão, terra do Sarney, quem for capaz de responder: como chama o ministro do Turismo?

Quem souber dizer o que faz o ministro do Turismo acrescentará ao prêmio uma viagem sem volta para o Amapá, a segunda terra do Sarney.

Não sabe responder? Calma, não se desespere. Nem Dilma Rousseff deve lembrar que entregou a pasta do Turismo para o senhor octagenário da foto lá do alto.

Decorridos seis meses de governo, a presidente da República não se dignou a conceder uma mísera audiência ao pseudoauxiliar.

Considerando-se a inatividade do ministério, fica-se com a impressão de que o próprio ministro deve ter esquecido o que é que lhe cabe mesmo fazer.

Assinou dois escassos convênios. Ambos com o Estado do Maranhão, governado por Roseana Sarney, a filha do Sarney. Coisa de R$ 22,6 milhões.

De resto, liberou 65 repasses de verbas para prefeituras gastarem nos festejos de São João. No total, R$ 8,9 milhões.

Ou seja: tomado pelo que já fez, melhor será que o ministro do Turismo seja acometido de um irreversível ataque de amnésia.

Ah, sim! Antes que o repórter esqueça, aqui vai o nome do ministro: Pedro Novais. É apadrinhado do Sarney. Indicou-o o PMDB.

Deputado federal maranhense, a experiência turística mais célebre do ministro foi uma incursão ao caixa das verbas de gabinete da Câmara.

Pedro Novais, que fará 81 anos em julho, pediu o ressarcimento de uma despesa de pouco mais de R$ 2 mil feita num motel.

Do Blog de Josias de Souza

Ex-ministro Paulo Renato morre de enfarte fulminante

Do Portal G1:
O ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza, 65 anos, morreu na noite deste sábado (25) após sofrer um infarto fulminante na cidade de São Roque, interior de São Paulo, onde passava o feriado de Corpus Christi em um hotel da cidade.

Segundo informações da assessoria do governo do Estado de São Paulo, Paulo Renato chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O velório deve ser realizado neste domingo (26) na Assembleia Legislativa de São Paulo.

No Twitter, o ex-governador de São Paulo José Serra lamentou a morte de Paulo Renato. “Foi-se Paulo Renato, meu querido amigo, um dos maiores homens públicos do Brasil. Foi um grande secretário e um grande ministro da Educação”, escreveu Serra.

Assim como Serra, outros políticos lamentaram a morte do ex-ministro. “Grande perda para o Brasil e para os amigos o falecimento do Paulo Renato de Souza” , escreveu o secretário estadual da Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo.

“Estou chocado com a perda do amigo Paulo Renato Souza, o melhor chefe que tive em toda minha vida! Ministro da Educação de FHC”, escreveu o coordenador de Comunicação da Secretaria de Transportes Metropolitanos, Raul Christiano.

Paulo Renato Souza
Nascido em Porto Alegre, Paulo Renato era formado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Um dos fundadores do PSDB, foi Ministro da Educação no governo Fernando Henrique Cardoso (entre 1995 e 2002) e Secretário de Educação do Estado de São Paulo no governo José Serra (entre 2009 e 2010) e no governo Franco Montoro (entre 1984 e 1986). Dentre as suas maiores realizações à frente do ministério da Educação estão o ENEM e o SAEB.

Na década de 80, foi Reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Na década de 70, Paulo Renato foi especialista das Nações Unidas em questões de empregos e salários. Ele também foi vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. bruno disse:

    Uma pena ele ter morrido, mas NUNCA que ele foi um grande ministro.
    A educação pública, na época em que ele foi ministro, era um caos. Um curso de duração de 5 anos, seus alunos terminavam em 6 ou 7 por causa de constantes greves, sem contar a falta de estrutura mínima.
    Foi durante a sua época no governo que ameaçaram "extinguir" algumas universidades, como a UFRN, que se tornaria uma espécie de ensino básico.

Sai a fera, entra a bela

Se a senadora Gleise Hoffmann (PT-PR) é o melhor quadro de que dispõe o PT para a Casa Civil, então as coisas vão muito mal lá pelas bandas do partido. Atenção! Nem eu considero isso! O PT é bem mais profissional e dispõe de mais quadros do que sugere essa indicação. Trata-se de uma decisão pautada principalmente pelo marketing político. Sai a fera, e entra a bela, para sugerir um governo conduzido por mulheres. A mensagem subliminar é que corrupção, ilegalidade, lambança e coisas inexplicáveis estão relacionadas ao mundo dos homens.

Nada contra a moça em particular, a não ser a sua espetacular inexperiência para cargo tão importante. Parece brincadeira! O maior trunfo político de Gleisi é seu marido, o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, que já foi muito próximo de Antonio Palocci. Ainda é, mas acabou ganhando autonomia. Ele, diga-se, era um dos cotados para o cargo, não ela.

Qual é? Viverá o PT uma crise tal de quadros que é preciso ter marido e mulher no primeiro escalão de governo? Na prática, o ministro será Bernardo — não porque ele é homem e feio, mas porque é aquele que realmente tem trânsito político.

Poderíamos ter uma coisa a favor de Gleisi: foi a primeira petista de alguma importância a apontar o óbvio: Palocci estava nu; não havia como defendê-lo. Mas ela o fez da pior maneira possível. Aludindo ao mensalão, observou que aqueles crimes, ao menos, diziam respeito ao partido. As eventuais lambanças de Palocci seriam apenas privadas. Ou por outra: malfeito para o bem do partido, tudo bem! Não dá!

Há pouco, Candido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara, explicava por que a Casa Civil é tão importante: coordena a ação de todos os ministérios e faz o contato do Executivo com o Congresso. E com um desconsolo que quase chegava a comover, disse: “A senadora Gleisi está muito preparada para o cargo”.

Em suma, entre todos os petistas disponíveis para o cargo, João Santana indicou a mais bonita. Nada contra! Em certa medida, como sugere Thomas Mann na novela Tonio Kröger, a beleza pode até ser vista como uma forma de pensamento. Havendo algum pensamento, emendaria eu… É isto: Dilma está lendo Thomas Mann…

Por Reinaldo Azevedo

Procuradoria Geral da República livra Palocci

Folha Online:

A presidente Dilma Rousseff acabou de ser informada que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu arquivar a denúncia contra o ministro Antonio Palocci (Casa Civil).

Segundo a Folha apurou, a presidente foi avisada no início da noite.

A PGR ainda não se manifestou oficialmente.

Com a decisão, o ministro pode ganhar uma sobrevida e se manter no cargo. Tudo irá depender da vontade de Dilma em permanecer com Palocci na pasta, apesar do desgaste.

Gurgel enviou um pedido de explicações a Palocci em 20 de maio, cinco dias depois que a Folha revelou a multiplicação por 20 do patrimônio do ministro da Casa Civil entre 2006 e 2010.

O procurador não fez perguntas específicas a Palocci, apenas pediu que ele esclareça os fatos presentes nas duas representações encaminhadas à PGR por partidos da oposição na semana anterior.

O ministro entregou o relatório requisitado uma semana depois, no dia 27 e, na semana seguinte, encaminhou mais documentos à procuradoria.

O Superministro ficou mufino

Por Augusto Nunes:

Até a descoberta do milagre da multiplicação do patrimônio, Antonio Palocci era o único ministro que parecia livre do risco de levar um pito de Dilma Rousseff. A aparição do traficante de influência transformou o poderoso chefe da Casa Civil no único que levou um pito do vice Michel Temer, que prefere sussurrar até em discussão de botequim. Antes, o superministro da presidente abúlica chamava a chefe de “Dilma”. Agora, na imagem de Stanislaw Ponte Preta, Palocci deve andar chamando urubu de “meu louro”.

Prisioneiro da mentira inaugural, segue contando uma atrás da outra e jurando inocência. Na semana passada, sem ter virado réu oficialmente, contratou de novo os serviços do advogado José Roberto Batochio. Recorrer ao doutor Batochio já é uma admissão de culpa, informa a lista de fregueses. Mas o camburão fica mais distante, comprovou a sessão do Supremo Tribunal Federal que, em 27 de agosto de 2009, livrou Palocci de qualquer envolvimento no estupro do sigilo bancário de Francenildo Costa.

Para inocentar o culpado, Batochio acusou a vítima. Conseguiu livrar o cliente “por falta de provas”. Não conseguiu condenar o caseiro por falta de tempo. Mas contribuiu para que o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF e relator do caso, inventasse outra brasileirice: o crime encomendado sem mandante (veja na seção O País quer Saber os melhores-piores momentos do parecer). “Não há dúvida quanto ao recebimento por Antonio Palocci dos extratos, mas não foi ele quem acessou a conta, e sim, funcionários da Caixa, autorizados por suas competências funcionais a acessar os dados”, diz um trecho do papelório aprovado por 5 votos a 4.

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Palocci: o gênio e a sorte

Por Josias de Souza

Suponha que você se chama Antonio Palocci. Nasceu no Brasil, em Ribeirão Preto. Cresceu numa família de classe média. Foi aluno regular. Formou-se médico.

Suponha que você preferiu trocar o trabalho como sanitarista pela política. Filiou-se ao PT. Venceu a invisibilidade. Tornou-se prefeito de sua cidade.

Suponha que, em 2002, caminhando por uma rua de Ribeirão, você tropeçou numa lâmpada mágica. Dela saltou um gênio. Disse-lhe que poderia pedir qualquer coisa.

Suponha que você pediu para ser ministro. Queria ajudar a transformar o país. O gênio ajeitou as coisas. Deu-lhe a coordenação da campanha de Lula.

Suponha que Lula virou presidente. Nomeou-o para a pasta da Fazenda. Mais do que você podeira sonhar.

Suponha que você estragou tudo. Levou a Brasília os amigo$ de Ribeirão. Frequentou a mansão brasiliense onde trançanvam-se pernas e negócios.

Suponha que, por um desses azares do destino, um caseiro pilhou-o na mansão. Contou a uma CPI o que viu.

Suponha que você, alvejado por denúncias que misturavam propinas e lixo, quebrou o sigilo bancário da conta que o caseiro mantinha em casa bancária oficial.

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Consultoria de Palocci era vender influência

– O Estado de S.Paulo

O então deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci faturou muito mais do que os cerca de R$ 7,5 milhões gastos com os dois imóveis comprados em nome da Projeto, a empresa de consultoria que abriu em 2006 e transformou em administradora de bens no final de 2010, dias antes de assumir a Casa Civil da presidente Dilma Rousseff, de quem tinha sido coordenador de campanha. Nesse período, portanto, ele multiplicou o seu patrimônio declarado por muito mais do que 20 vezes.

 Palocci se recusa a falar em números, a identificar clientes e a descrever a natureza dos serviços que lhes prestou. Mas o texto produzido por sua assessoria para orientar os líderes da base parlamentar do governo na sua defesa – e que, por inadvertência, foi amplamente difundido – argumenta que, “no mercado de capitais e em outros setores, a passagem por Ministério da Fazenda, BNDES ou Banco Central proporciona uma experiência única que dá enorme valor a esses profissionais no mercado”, citando ex-autoridades da área que prosperaram na iniciativa privada.

Qual será o valor de mercado de quem tem a oferecer, além da “experiência única”, a credencial de ter permanecido como protagonista de primeira grandeza na esfera das decisões do governo? Palocci sabia não apenas como funciona o poder, mas que rumos o poder tencionava tomar em matérias de interesse direto do empresariado e do sistema financeiro. O escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro que testemunhou as visitas do então titular da Fazenda a uma mal-afamada casa de Brasília custou-lhe o posto, mas não o prestígio.

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COAF informa: negócio feito por empresa do ministro Palocci é suspeito

Todo dia o Ministro Palocci vai se enrolando mais:
Leandro Colon / SÃO PAULO e Luiz Alberto Weber / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

O Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), vinculado ao Ministério da Fazenda, enviou relatório à Polícia Federal comunicando que a empresa Projeto, do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, fez uma operação financeira suspeita na compra de um imóvel de uma empresa que estava sob investigação policial. A manifestação do Coaf ocorreu há cerca de seis meses, depois de o órgão ser informado do episódio pelo banco que intermediou a transação financeira.

Fontes do Ministério da Fazenda em São Paulo revelaram ao Estado que o comunicado do Coaf à PF se enquadra no tipo de “movimentação atípica”, “operação suspeita”. Funciona da seguinte maneira: os bancos informam ao Coaf sobre transações financeiras fora do padrão. Em cima dessas informações, o órgão da Fazenda repassa à PF e ao Ministério Público relatórios quando uma empresa ou uma pessoa sob investigação aparece nos comunicados dos bancos.

No caso de Palocci, o nome da Projeto surge nas transações atípicas envolvendo uma empresa que está sob investigação pela Polícia Federal. No ano passado, a empresa do ministro adquiriu dois imóveis em São Paulo: um apartamento luxuoso de R$ 6,6 milhões e um escritório avaliado em R$ 882 mil. O Coaf não tem poder de investigação. Cabe à Polícia Federal apurar se há ou não irregularidades na transação financeira entre a empresa do ministro da Casa Civil e a que está sob investigação.

Na última terça-feira, o PSDB chegou a pedir ao Coaf informações sobre a empresa de Palocci. O órgão, no entanto, ainda não se manifestou sobre o pedido. E não deve fazer isso publicamente, por se tratar de dados sigilosos. Em 2006, Palocci abriu a Projeto Consultoria Financeira Econômica Ltda, que atuou até 2010, enquanto ele era deputado, no ramo de consultorias para empresas privadas.

O petista se nega a revelar seus clientes. Em dezembro, pouco antes de virar ministro, Palocci alterou o nome da empresa para Projeto Administração de Imóveis e o objeto social para o de administração imobiliária. Os dois imóveis comprados são administrados por sua empresa. Procurado ontem pelo Estado, Palocci informou, por meio de sua assessoria, que desconhece o episódio. Disse que não foi informado do envio do relatório do Coaf à PF.