Novos limites de horários para cortar sinal vermelho reacende discussão sobre indústria da multa em Natal

por Dinarte Assunção

Algumas medidas de trânsito da capital potiguar são realmente provocantes para pensar na indústria da multa.

A Câmara de Vereadores promulgou lei, de autoria de Kleber Fernandes (PDT), segundo a qual só se pode cortar sinal, nesta que é uma das cidades mais violentas do país, depois das 23h.

A Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU) orientava que o condutor, por medida de segurança, o fizesse a partir das 22h.

O limite é válido até as 5h.

A infração é considerada gravíssima, acarreta 7 pontos na carteira e R$ 191 de multa.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Lorena Galvão disse:

    Boa notícia, muito perigoso este horário, mais temos que ter muir o cuidado ao cruzar

  2. Genilson de Lima Pereira disse:

    Boa tarde.
    Onde estão os procuradores e defensores públicos do nosso falido estado. E não vamos colocar a culpa somente no atuais governantes, que tem suas parcelas de contribuição para tento. Tem muitos mais coisa que mídia não divulga, que até já pagamos a conta e nem se quer ficamos sabendo. Vamos lá ADVOCACIA GERAL DO ESTADO.

  3. Lurdes lopes disse:

    Quem elegeu esses crápulas pra quem pagamos à custos altíssimos segurança armada? Esperavam o quê ? Abraços de agadecimentos?

  4. Leonardo Fonseca Barros disse:

    Se isso fosse tudo sobre o tema.
    O sensor de avanço de sinal do cruzamento da Amintas Barros com Jaguarari passou todo o ano de 2015, 2016 e 2017 multando os motoristas, mas desde março de 2015 estava com a aferição vencida.
    E mais: não adianta recorrer e mostrar isso pq STTU só quer arrecadar.
    Peçam a eles fotos de multas lavradas depois de março e confiram tirando uma outra no celular daquelas letrinhas miúdas abaixo de onde tem o carro e ampliem.
    A certificação do equipamento estava vencida.

    • Jonas disse:

      Tem que ver direito isso, pois a legislação prevê que os equipamentos de fiscalização não metrológicos (exemplo dos que fiscalizam o avanço de sinal) devem se homologados pelo InMetro a cada 5 anos. Diferentemente dos metrológicos, que capturam as infrações por excesso de velocidade. Esses sim devem ser a cada 12 meses.

  5. Joesley Safadao disse:

    Bom senso!!

    Furar sinal vermelho às 22h no cruzamento da Bernardo Vieira com a Salgado Filho não dá, né?!

    Em outros casos, dá pra passar de boas…

  6. M.D.R. disse:

    O correto seria a partir das 22 hs. e se tratando de vários assaltos nos sinais, os condutores veículos considere uma vitória com relação essa medida de segurança.

Indústria, comércio, serviço e agricultura defendem “impeachment já” nos jornais do país desta terça

Lideradas pela Fiesp, centenas de entidades da indústria, comércio, serviços e agricultura assinam e publicam amanhã – dia da reunião do PMDB que vai decidir pelo rompimento com o governo – nos principais jornais do país anúncio de sete rodapés sequenciais duplos defendendo o “impeachment já”.

A informação foi passada ao Blog do Moreno pela própria Fiesp.

O Globo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Pedro Eneas disse:

    A FIESP não é a mesma que também defendeu o golpe de 64? Ahhhhh… entendi

    • Joao disse:

      Hoje começo a ver que o golpe de 64 quem deu foi a esquerda fascista. Perdemos 2 decadas por causa desse desejo de transformar o país numa Cuba. Hoje estamos lutando por quase 2 decadas de perda economica e uma tremenda divida. O PT deu o golpe com mentiras e corrupcao enquanto pode, a mentira do Foro de SP nao iria durar para sempre. O MST e a CUT nao governam mais. Vao precisar trabalhar em vez de mamar nas tetas do governo.

    • Verdade seja dita disse:

      Mais um que vai perder a boquinha e se juntará aos com 30 mil cargos comissionados.

  2. Augusto Ribeiro disse:

    A FIESP mais uma vez mostra seu viés golpista, como em 64!

  3. paulo disse:

    BG
    O País esta completamente PARADO, andando pelas ruas verificamos que parece um domingo ou um feriado, Fora pt já para o bem do Povo Brasileiro.

Faturamento da indústria cresce 5,3% no primeiro semestre, aponta CNI

O faturamento da indústria nacional teve alta de 0,5% no mês de junho, comparado a maio. O aumento em junho contribuiu para o crescimento de 5,3% nas vendas do primeiro semestre em relação a igual período do ano passado, conforme os indicadores divulgados hoje (8) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Em junho, as horas trabalhadas na produção aumentaram 2,2%, ante o mês anterior; a oferta de emprego subiu 0,2%; o rendimento médio real cresceu 0,1%; e 0,8% no uso da capacidade instalada, passando de 81,9%, em junho de 2012, para 82,2%. No primeiro semestre, as horas trabalhadas na produção subiram 0,1% na comparação com igual período de 2012, a oferta de emprego registrou alta de 0,5% e aumentou em 1,4% o rendimento médio mensal.

A pesquisa da CNI aponta queda de 0,7% na massa salarial real em junho, em comparação a maio. Na relação com igual mês do ano passado, houve expansão de 3%. Porém, o ganho recuou para 1,9% na comparação entre os primeiros semestres deste ano e de 2012, por causa de desempenho menor da massa salarial de janeiro a junho, segundo o economista Marcelo de Ávila, da CNI.

Segundo a CNI, houve desempenho positivo na maioria dos setores da indústria de transformação no primeiros seis meses deste ano, comparados a igual período de 2012. “Observamos, porém, diferenças de desempenho entre os setores, com evolução heterogênea da atividade industrial”, disse o gerente executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

De acordo com ele, o faturamento aumentou em 15 dos 21 setores pesquisados, as horas trabalhadas na produção cresceram em 12 setores e a massa real de salários subiu em 13 setores.

A pesquisa da CNI indica, com base no faturamento semestral, que as maiores evoluções ocorreram na fabricação de máquinas e materiais elétricos (22,72%), máquinas e equipamentos (16,14%), veículos automotores (14,63%), produtos diversos (12,6%) e vestuários (9,3%).

Em contrapartida, o faturamento do setor de bebidas caiu 10,43% e o de outros equipamentos de transporte – cuja produção inclui reboques, elevadores, bicicletas e navios – diminuiu 10,28%. Foram apontadas quedas também no faturamento de impressão e reprodução (6,74%), móveis (2,57%), indústria farmacêutica (2,21%) e metalurgia (0,05%).

Agência Brasil

Ano passado foi "perdido" para indústria, avalia CNI

O gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, avalia que “2012 foi um ano perdido para a indústria”.

Embora o cenário traçado para o ano passado seja preocupante, a CNI avalia que a indústria vai se recuperar este ano, sem precisar quando isso vai acontecer.

“Estamos esperando que essa tendência se mostre com mais clareza para que nós possamos sinalizar uma retomada.

Ainda não temos um ambiente claro de recuperação, precisamos da retomada do investimento”, disse Castelo Branco.

O ano de 2012 foi de “ajustes” de estoques para a indústria, resume Castelo Branco.

“Os estoques já ficaram equilibrados no fim do ano. Neste ambiente, a expectativa é que, se a demanda aparece com um pouco mais de intensidade, isso vai se transmitir para a produção”.

O economista também espera que a indústria vá sentir nos próximos meses o impacto positivo das desonerações anunciadas pelo governo na folha de pagamento e da queda no custo da energia elétrica.

Folha

Emprego e salário da indústria recuam em abril, aponta IBGE

O emprego e a remuneração na indústria recuaram em abril, mas perderam a intensidade da queda, de acordo com informações divulgadas nesta terça-feira (12) na Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O recuo do emprego ocorre pelo segundo mês consecutivo ao variar -0,3% em abril, na relação com março, cuja queda havia sido de 0,4%. O valor da folha de pagamento real (descontada a inflação) também recuou, com variação de -0,5% ante queda de 0,7% em março –segunda taxa negativa consecutiva.

Na variação relativa ao emprego, houve queda mais acentuada na comparação com a abril de 2011, com variação de -1,4% –sétimo resultado negativo consecutivo nesse tipo de relação e, segundo o IBGE, o mais intenso desde dezembro de 2009 (-2,4%). O recuo no quadrimestre chega 0,9%.
Na taxa do acumulado dos últimos 12 meses, a variação é de -0,1% –o primeiro resultado negativo desde julho de 2010 e prosseguiu com a redução no ritmo de crescimento iniciada em fevereiro de 2011 (3,9%).O índice da média móvel trimestral (três meses imediatamente anteriores) registrou variação de -0,2% na passagem dos trimestres encerrados em março e abril, permanecendo com o comportamento predominantemente negativo presente desde outubro do ano passado.

FOLHA DE PAGAMENTO

O valor da folha de pagamento recuou pelo segundo mês consecutivo, na série com ajuste sazonal, e acumulando nos últimos dois meses perda de -1,1%. O índice de média móvel trimestral apontou ligeira variação positiva (0,1%) entre os trimestres encerrados em março e abril, com clara redução no ritmo de crescimento frente aos resultados de janeiro (1,3%), fevereiro (1,5%) e março (1,8%).

Na relação com abril de 2011, o valor da folha de pagamento cresceu 4,2%, 28º resultado positivo consecutivo nesse tipo de comparação. O índice acumulado no quadrimestre avançou 4,5%, acelerando o ritmo de crescimento frente ao observado no último quadrimestre do ano passado (2,8%), ambas as comparações contra igual período do ano anterior.

No acumulado dos últimos 12 meses, a folha teve incremento de 3,8%, mas perde ritmo na relação com maio de 2011 (7,3%).

Os resultados positivos com mais destaque, aponta o IBGE, foram verificadas em Minas Gerais (9,7%) e no Rio de Janeiro (13%).

Setorialmente, ainda no índice mensal de abril de 2012, o valor da folha de pagamento no total do país cresceu em 11 dos 18 setores investigados, com destaque para máquinas e equipamentos (9,4%), alimentos e bebidas (6,6%), meios de transporte (6,2%), papel e gráfica (11,6%) e indústrias extrativas (10,5%). Por outro lado, borracha e plástico (-3,2%), vestuário (-3,6%), produtos de metal (-1,9%) e calçados e couro (-3,8%) exerceram os maiores impactos negativos sobre o total da indústria.

O número de horas pagas recuou 0,8% na relação mensal e registrou queda de 2,1% na comparação com abril de 2011.

Fonte: Folha

O RN foi o único estado do Nordeste que a indústria virou 2011 com saldo negativo. Cadê você Bendito?

Enquanto o Governo do Estado só fala em Aeroporto e Copa do Mundo, a indústria do RN vai encolhendo, empregos vão se perdendo e o PIB do RN virando piada Nacional. O que foi que “Bendito” Gama veio fazer aqui realmente?  Segue excelente reportagem da Tribuna do Norte:

A indústria de transformação brasileira encolheu. Os números divulgados por entidades como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Confederação Nacional da Indústria (CNI) na última semana mostram isso. Produção, exportação e empregos no setor industrial fecharam o ano em queda, reduzindo a participação da indústria de transformação no PIB nacional a níveis semelhantes aos registrados no início do processo de industrialização, na era JK. As projeções para 2012 não são muito animadoras. A produção industrial e o faturamento da indústria já iniciaram 2012 em queda. O resultado se vê em cada estado: demissões, principalmente no segmento têxtil e de confecção. No Rio Grande do Norte, não foi diferente. O estado foi o que mais sofreu com a crise na região. No Nordeste, foi o único que fechou com saldo negativo, apresentando o pior desempenho dos últimos nove anos. O governo federal, no entanto, sinalizou que tomará medidas para frear a queda e reverter o quadro.

Produção, exportação e empregos no setor industrial fecharam o ano em queda, reduzindo participação da indústria de transformação no PIB nacional a níveis semelhantes aos do início do processo de industrialização

A participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu de 16,2% para 14,6%, no último ano. O percentual só foi menor em 1956, no governo de Juscelino Kubitschek, quando o setor respondeu por 13,8% do PIB, segundo matéria veiculada na Folha de São Paulo. Na década de 80, a indústria representava quase 30% do PIB nacional. O dado é preocupante e as projeções não muito animadoras, mas não apenas no âmbito nacional. “O que ocorreu no Brasil, ocorre no Rio Grande do Norte”, diz o presidente da Federação das Indústrias do estado, Amaro Sales. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda não divulgou números para medir o desempenho da atividade em plano local, mas os efeitos da desaceleração são percebidos em áreas sensíveis como o mercado de trabalho.

Em todo o país, postos com carteira assinada foram fechados.  “A indústria encolheu em todo o país”, ressaltou Flávio Castelo Branco, economista chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em entrevista à TRIBUNA DO NORTE. O Rio Grande do Norte foi, entretanto, o que mais sofreu na região Nordeste. A indústria de transformação potiguar foi a única que fechou o ano com um saldo de empregos – diferença entre contratações e demissões – negativo. O saldo de 2011 (-2.578) foi o pior em nove anos, desde que o Ministério do Trabalho passou a registrar a geração de emprego, ano a ano. No RN, a indústria de transformação demitiu 29,7 mil pessoas no último ano. Com exceção de Alagoas, onde o saldo de empregos na indústria subiu em 2011, todos os outros registraram recuo na geração de emprego. No Ceará, a retração chegou a 85,5%. Ainda assim, todos conseguiram manter alguns postos abertos. O RN não.

Federação das Indústrias do RN Fiern, Associação Brasileira de Incentivo ao Desenvolvimento Sustentável da Indústria e governo do estado se reúnem este mês para elaborar o plano de industrialização do estado e tentar reverter o quadro. Sandra Cavalcanti, gerente da unidade de Economia e Estatística da Federação das Indústrias no RN, lembra que o setor que mais vem sofrendo com a enxurrada de importações – uma das razões por trás da queda da participação da indústria no PIB nacional – é o de têxteis e vestuário. “E esta é a cadeia industrial que mais emprega no RN depois da construção civil”. O segmento demitiu quase 10 mil pessoas no ano passado, fechando 2011 com um saldo negativo de quase cinco mil postos de trabalho com carteira assinada.

O setor começou 2011 com 31.840 empregados com carteira assinada, no estado. Hoje são 26.629, 16,3% ou 5.211 a menos – sem levar em consideração os postos informais fechados. Número que deve ficar ainda maior, de acordo com José Nogueira Filho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Fiação e Tecelagem do RN.

A Coteminas vai desativar, gradualmente, a unidade de São Gonçalo do Amarante, que emprega hoje 1,6 mil funcionários. Parte da produção e dos empregados será transferida para Macaíba. A outra parte será capacitada para trabalhar em outros setores.

O Grupo, um dos maiores do país no segmento, decidiu construir um complexo imobiliário no local da antiga fábrica. Josué Gomes, presidente da Coteminas, em passagem pelo RN, preferiu não relacionar a desativação da unidade (e a construção do complexo) à crise enfrentada pelo setor. “Digamos apenas que o projeto seria viável mesmo que o segmento têxtil estivesse bem”, respondeu à TRIBUNA DO NORTE, logo após apresentação do projeto. A equipe de reportagem entrou em contato com a Coteminas para esclarecer quando a unidade começará a ser desativada, mas não obteve retorno. Segundo José Nogueira Filho, depois da crise de 2008, “a indústria têxtil e de confecções no estado só perdeu”.

Mesmo com incentivos, cenário é ruim

“O ano foi desastroso para a indústria têxtil e de confecções”. É assim que Fernando Valente Pimentel, diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), define 2011 para o segmento. No último ano, a produção da indústria têxtil despencou quase 15%. A do setor de confecções caiu 4%. Fernando relembra que alta do preço da pluma de algodão, no ano passado, reduziu  estoques e sufocou capital de giro das indústrias têxteis. Para 2012, a ABIT espera um crescimento de 1,5% a 2% indústria têxtil em 2012, mas reconhece que “não será possível recuperar a produção perdida no ano passado”.

A ABIT tem discutido junto ao governo federal estratégias para mudar o cenário. Medidas que, segundo Pimentel, se apoiarão em dois pilares: resgate da competitividade – com redução de tributos, redução da tarifa de energia, desoneração do investimento – e salvaguarda contra a entrada de produtos importados. “Usaremos todo um arsenal de medidas para defesa e ataque contra a concorrência desleal”, afirmou, à TN.

Apesar do desempenho ruim, Pimentel garante que a indústria têxtil do Brasil não vai acabar. “Estamos trabalhando, na verdade, para que ela possa voltar a crescer”. O que o Brasil não pode, afirma, é tolerar a concorrência desleal nem “entregar o mercado em tempos de crise”. Ele lembra que as importações, que podem parecer uma solução à primeira vista, podem se tornar um grave problema a longo prazo.  Para o diretor superintendente da ABIT, o país não pode continuar criando obstáculos para quem produz aqui dentro e facilidades para quem produz lá fora.

O governo federal já sinalizou que tomará medidas de caráter emergencial para estimular a produção industrial. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, por exemplo, anunciou sexta-feira, que o  governo ampliará a desoneração da folha de pagamento do setor. Desta vez, todos os setores industriais que quiserem poderão participar da rodada de desoneração.

Segundo Sandra Cavalcanti, da Fiern, o governo já indicou que reduzirá impostos de investimento, desonerará a folha de pagamento de outros setores, a exemplo do que ocorreu com têxteis, calçados e softwares, e acelerará o investimento público no segundo semestre. “Também deverá criar linhas de crédito específicas para setores que vem perdendo a competitividade”. Para Castelo Branco, economista chefe da CNI, a recente redução dos juros, de 10,5% para 9,75% ao ano, mostra a preocupação do Banco Central com o cenário e pode contribuir para melhorar o desempenho do setor.

Para Amaro Sales, as medidas tomadas até o momento – como a desoneração da folha de pagamento para setores que empregam mão de obra de forma maciça em troca de parte do faturamento – não foram suficientes para reverter o quadro. Sem competitividade, indústrias acabarão trocando homens por máquinas, num processo semelhante ao que já ocorre nos canaviais, afirma Amaro. Para Ambrósio Lins, presidente da Federação dos Trabalhadores em Agricultura do RN (Fetarn), a mecanização é “um caminho sem volta”, ao menos nos canaviais. Usinas são obrigadas, por lei, a mecanizar colheita, dispensando a queima. Mas a estratégia pode ser adotada por outros setores diante da queda de competitividade.

Para o economista e chefe da unidade potiguar do IBGE, Aldemir Freire, 2012 não será um ano fácil para a indústria.  “Espero que as medidas tomadas pelo governo federal consigam melhorar o desempenho do setor”. Depois completa: “só não sei se será um desempenho muito melhor”.

Setor começa o ano com o pé esquerdo

A indústria de transformação estagnou em 2011, segundo Flávio Castelo Branco, economista chefe da CNI. O crescimento não ultrapassou 0,1%. Essa foi uma das razões de o PIB nacional ter crescido apenas 2,7%, ante os 7,5% de crescimento no ano anterior. A indústria, considerando os quatro subsetores (extrativo; eletricidade-gás-água; construção civil e indústria de transformação), cresceu 1,6%. Em 2010, havia crescido 10,1%. “O desempenho foi bastante frustrante”, resume Castelo Branco. A CNI já projetava um crescimento de 2,6 ou 2,8% para a indústria em 2012, mas está refazendo os cálculos. “Estamos preocupados com o que vai acontecer”, confessa Amaro Sales, presidente da Fiern. E há motivos para isso.

A produção industrial caiu 2,1% em janeiro, em relação ao mês anterior. Este foi o maior recuo desde dezembro de 2008, auge da crise internacional. O faturamento da indústria caiu 1,4% em janeiro em comparação com dezembro. Os primeiros dados de 2012, segundo Castelo Branco, mostram que o quadro de baixa atividade se manterá.  “O cenário já se desenha”, complementa Amaro.

Para Sandra Cavalcanti, da unidade de Economia e Estatística da Fiern, as medidas de contenção do consumo, como restrição ao crédito e aumento da taxa de juros, tomadas pelo Banco Central no início de 2011, com o intuito de conter a inflação, se refletiram no menor ritmo de crescimento da indústria, e por extensão, da economia brasileira. “Além disso, fomos surpreendidos com o agravamento da crise europeia no segundo semestre de 2011”. A valorização do real, uma das consequências da crise, também é apontada como vilã. Em 2011, o real era a quarta moeda mais valorizada do mundo segundo a revista inglesa The Economist. Real valorizado, explica Sandra, reduz competitividade dos produtos brasileiros e facilita a entrada de produtos importados. “Estamos deixando de adquirir insumos, matérias-primas, máquinas e equipamentos produzidos internamente, porque os importados ficaram muito mais baratos”, explica.

No Rio Grande do Norte, as exportações do segmento têxtil e de confecções, o mais afetado em todo o país, por exemplo, recuaram 40%, enquanto as importações, sem incluir o algodão, cresceram 57%, no ano passado. Neste cenário, destacam-se as importações de peças de vestuário e confecções que cresceram 915% no mesmo período. Boa parte destes produtos vem da China – economia que mais cresce no mundo, mas que também já dá sinais de retração (país estima crescimento menor em 2012).  Entretanto, outros fatores contribuem para a desindustrialização precoce do Brasil.

Infraestrutura reduz competitividade

Além dos problemas ‘graves e imediatos’, Rio Grande do Norte e Brasil lidam com problemas latentes, como infraestrutura deficitária, ressalta Sandra Cavalcanti, da Fiern. O mesmo pensamento é defendido por Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Estudo divulgado pela LCA Consultores, ainda em 2011, revelou que o Brasil poderia mais que dobrar o Produto Interno Bruto (PIB) por habitante e atingir níveis de países como a Coreia do Sul, se reduzisse as ineficiências que tiram a competitividade do País. “Falta de infraestrutura e complexidade do sistema tributário dividem o primeiro lugar no pódio dos principais obstáculos para ampliar a competitividade”, disse o economista responsável pelo estudo, Bráulio Borges, em entrevista ao Estado de São Paulo, durante a divulgação da pesquisa.

O Rio Grande do Norte ainda tem um longo caminho a percorrer, neste sentido. As rodovias estaduais receberam nota zero em avaliação realizada pelo grupo inglês The Economist em todo o país, no ano passado. O estado ficou abaixo da média nacional nas oito categorias avaliadas, incluindo ambientes político e econômico, política para investimentos estrangeiros, infraestrutura, recursos humanos, sustentabilidade, tributos e inovação. Segundo o estudo, o RN tem uma das dez piores redes de estradas do Brasil.

Estudo

A CNI, em parceria com a Fiern, deverá concluir até junho estudo que identifica os gargalos na infraestrutura, transporte e logística do RN e de todos os estados nordestinos. A pesquisa avalia a condição das rodovias, ferrovias, portos e aeroportos e indica que projetos deverão ser priorizados dentro e fora do estado, para tornar estados mais competitivos.

“Precisamos privatizar mais”, afirma Amaro Sales, presidente da Fiern. Ele reconhece, entretanto, que investir em infraestrutura não basta.

A indústria tem reivindicado redução nos custos trabalhistas e previdenciários, no custo industrial de energia elétrica e na carga tributária, que já alcança 36% do PIB. Assunto foi debatido na última sexta-feira, na Fiern.

Micro e pequenos buscam inovação

Enquanto o governo federal tenta proteger os grandes, micro e pequenos, que representam 97% da indústria potiguar, se movimentam, em busca de maior competitividade. Para reduzir custos de produção e colocar o produto nas prateleiras a um preço mais baixo, João Vidal de Lucena, proprietário da Polpa de Frutas Naturelle, trouxe sua fábrica para o Rio Grande do Norte. No RN, o empresário paraibano encontrou matéria-prima e água abundante. Na Paraíba, pagava R$ 40 por uma caixa de cajá. No RN, passou a pagar R$ 25. A economia se refletiu no preço do produto.

Doze anos depois Vidal dá mais um passo em busca de competitividade. Agora quer inserir a inovação na fábrica. Ele foi um dos micro e pequenos que aderiram ao programa Agentes Locais de Inovação (ALI), do Sebrae. A segunda fase do programa, que quer atingir 1,6 mil empresas em 2012, tem como objetivo tornar indústria mais competitiva. Ana Clara Melo de Negreiros Fraga, proprietária da  Sinalize Comunicação Visual, também deu o mesmo passo.

Ela pretende aumentar equipe e entrar e m novos mercados. Mas sabe que ter preço competitivo não é suficiente. “É preciso trazer a inovação para dentro da empresa, se não os concorrentes avançam e nós não”. Há 16 anos no mercado, ela pretende contratar mais quatro funcionários este ano. Tudo vai depender do mercado. “Problemas todos temos, grandes ou pequenos, o que precisamos é de soluções”.