Novo chefe da PF no Rio prendeu Temer e ajudou a levar Cabral para a cadeia

Foto: Reprodução

Em 17 anos de Polícia Federal (PF), o delegado Tácio Muzzi já atuou em investigações contra os chefões do jogo do bicho, a banda podre da polícia, políticos e empresários corruptos, mas um dos momentos mais difíceis da carreira aconteceu em 21 de março do ano passado, quando o ex-presidente Michel Temer (MDB) desembarcou na sede da corporação no Rio para cumprir a prisão ordenada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. Sem disfarçar o constrangimento, Muzzi, que estava na chefia interina da unidade, procurou dar uma acolhida digna a um ex-chefe da nação sem abrir mão do dever de encarcerar um preso.

Mineiro, de gestos contidos e fala tranquila, ele acolheu Temer na sala do corregedor local. O ex-presidente ficou isolado em um espaço de 20 metros quadrados, com banheiro privativo e ar-condicionado. Cada providência naquele dia foi bem pensada, bem ao estilo do delegado, para não parecer regalia ou abuso de autoridade contra um preso VIP. Por gestos assim, Muzzi é visto com respeito na área de segurança pública fluminense, onde passou a maior parte da carreira.

Um dos procuradores da República da força-tarefa da Operação Lava-Jato no Rio garante que o delegado escolhido para assumir a superintendência da PF no Estado é um “excelente policial, muito técnico”. Doutor e mestre em Direito Empresarial pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Muzzi foi procurador do Banco Central do Brasil antes de iniciar a carreira na PF, em 2003. Entre as funções mais destacadas, chefiou a Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros da superintendência fluminense e coordenou o Grupo de Trabalho da Lava-Jato no Rio. Também comandou operações especiais de repressão a corrupção, crimes financeiros, lavagem de dinheiro e criminalidade organizada.

Uma das operações mais importantes da carreira de Muzzi foi a Gladiador, desencadeada em dezembro de 2006 para desarticular uma quadrilha formada por policiais civis e militares que garantia proteção a contraventores. As investigações envolveram o ex-governador Anthony Garotinho e o ex-chefe da Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, que acabaram condenados pela Justiça Federal por formação de quadrilha armada, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O delegado também encabeçou a Operação Saqueador, precursora da Lava-Jato na investigação de ações da Delta Construções, e liderou a parceria da PF com o MPF que, em 2016, resultou na prisão do ex-governador Sérgio Cabral.

Atualmente delegado regional executivo da PF no Rio, segundo posto na hierarquia da unidade, Muzzi já foi diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) (de 2018 a 2019) e diretor-adjunto do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (de 2017 a 2018). O novo superintendente da PF no Rio ainda é professor da Escola de Magistratura do Estado do Rio e da Academia Nacional de Polícia.

Muzzi vai substituir Carlos Henrique de Oliveira, que irá para Brasília ocupar a diretoria-executiva da PF. Um dos pivôs da crise que culminou com a saída do ex-ministro da Justiça Sergio Moro do governo, a superintendência da PF fluminense é um interesse declarado do presidente Jair Bolsonaro ao menos desde agosto do ano passado.

A escolha por Muzzi, no entanto, acalmou os ânimos dentro do órgão diante da perspectiva de que fosse nomeado um delegado com ligações com o presidente. Seu nome não era uma escolha do Planalto e ele foi o braço-direito do delegado Ricardo Saadi, o primeiro superintendente do Rio que Bolsonaro manifestou a intenção de trocar, ainda em 2019.

Extra – O Globo

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Ronald disse:

    PF para Bolsonaro, significa: Proteção dos Filhos.

  2. João Querubino disse:

    Prender Temer é moleza. Idoso, residencia fixa e sem vínculos com a milicia carioca.

Bolsonaro é o presidente que mais fez pronunciamentos nos primeiros 15 meses de mandato, desde a redemocratização


Foto: Carolina Antunes/PR

Em 15 meses de governo, Jair Bolsonaro (sem partido) é o presidente que mais falou em rede nacional desde a redemocratização do Brasil, em 1985. É o que mostra levantamento do Metrópoles, com base em dados do Palácio do Planalto.

A pesquisa teve como base os primeiros 15 meses de cada mandato dos presidentes da República desde a redemocratização e não contabilizou o mais recente pronunciamento de Bolsonaro, feito em 8 de abril.

Desde que tomou posse em 1º de janeiro de 2019 até 31 de março de 2020, Bolsonaro fez nove pronunciamentos. Desses, quatro apenas neste ano – todos relacionados à crise do novo coronavírus, o que coloca o presidente como o que mais utilizou o recurso.

Atrás de Bolsonaro aparecem os ex-presidentes Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso (1º mandato), com seis pronunciamentos cada.

Em seguida aparece a ex-presidente Dilma Rousseff, com cinco pronunciamentos nos primeiros 15 meses do primeiro mandato. No segundo mandato, a petista falou quatro vezes à nação no mesmo período.

Nos primeiros 15 meses dos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o petista realizou três pronunciamentos em cada mandato.

O mesmo ocorreu com FHC, nos 15 meses de governo do segundo mandato e com Fernando Collor de Mello. Veja:

Imagem: reprodução/Metrópoles

Metrópoles

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Santos disse:

    Quem não trabalha, apenas fala.
    Deixa ele falando enquanto os ministros trabalham.

  2. Manoel disse:

    Kkkk quem gosta tá bom mais quem não gosta vai ter que engolir Bolsonaro 2022 mais quatro anos Dale mito B38. Eu sou Bolsonariano.

  3. José aldomar disse:

    Falou tanta asneira que tomou o lugar dos outros nada que se aproveite

    • Julian disse:

      Pare, e analise.
      Só falou a verdade, ate aqui, esta prevalecendo o que ele disse.
      Reflita!!

  4. Hermann disse:

    MELHOR PRESIDENTE EM TODOS OS SENTIDOS . VOTAMOS E VAMOS VOTAR DE NOVO. AQUI SOMOS 50 VOTOS . SÓ EM NÃO ROUBAR COMO OS OUTROS FAZIAM E NÃO FAZER ACORDO COM O MECANISMO. VALEU PRESIDENTE ESTAREMOS SEMPRE JUNTOS. .

  5. Coelho disse:

    Ele falou o que mesmo?

  6. Guido disse:

    MINHA CASA TEM 10 PESSOAS e TODAS SE ARREPENDERAM DE TER VOTADO NESSE GENOCIDA “BOLSONERO”. (-10 VOTOS)

    • Tião disse:

      Nunca antes, na história desse país, um presidente conseguiu barrar uma pandemia e uma convulsão social eminente, com tanto controle e racionalidade como está sendo ministrada por esse doido. Valeu MITO. Pode fazer uma pesquisa, sua aprovação agora bate todos os recordes.

  7. Lurinho disse:

    Tudo é demais, lula quem mais roubou!!!

    • Ricardo disse:

      O bolsonarismo é uma seita religiosa em que: O deus é o ódio; O papa é o Trump; O cardial é o Bozo; O padre é o patrão; A hóstia é cloroquina; O paraíso é os EUA e a terra é plana.

    • Deb e Loide disse:

      Ricardo nessa sua lista faltou colocar Judas Lula da Silva. Aquele q entregou Jesus por umas moedas

  8. RICARDO LÚCIDO disse:

    Comentários rápidos e sucintos nesse domingo pascoal :
    Votei nele e me arrependo .

  9. natalsofrida disse:

    Vão tomar o Rivotril de vocês, petralhas desalmados, nefastos e diabólicos. O Pai Celestial está por nós.

  10. Neto disse:

    Bolsonaro e Dilma calados, são
    inteligentes.

    • Mpj disse:

      Desse jeito..kkkkk, duas figurinhas que precisam serem estudados pela nasa .kkkk.

  11. Said disse:

    Me parece que os outros tinham muitos podres escondido por isso o medo de falar.

  12. Ojuara disse:

    Abrir a boca pra falar besteira é fácil, difícil é falar coisas úteis para o povo, para o coração, porque a fossa já está cheia.

  13. Na verdade ele fez 4,5. Os outros 4,5 foi apenas pra desfazer as perdas que disse …

  14. Rivanaldo disse:

    Já que os Bolsominions não entendem a importância do achatamento da curva, vai uma explicação que vocês devem compreender: imagina se todo mundo da sua casa tiver caganeira e a casa só tem um banheiro?
    Entenderam agora?

    • Lucas disse:

      Mais didático impossível. Mas, como bolsonaristas são tudo cabeça dura

    • Henrique disse:

      Explicação simplista de esquerdopata. Isolamento não combate a doença, como muitos falam por aí. Apenas atrasa. Mas atrasar o que quando não há doentes? Achatar uma curva que não existe? Há muitas cidades fechadas, sem comércio e serviços, sem nenhum caso da doença.
      Zero bom senso. Uma pena esse jogo político desqualificado.

    • Bené Brito disse:

      Mais pedagógico que isso é impossível!

    • Carlos disse:

      Ata agora entendi, mas eu acho muitos ainda não entenderão porque tudo que é mito uma parcela da população acredita como se fosse verdade.

    • RICARDO LÚCIDO disse:

      Tai , uma explicação ditarias . Acho que agora dá para entender .

    • Netto disse:

      Ou pode se adiar pra daqui a algumas horas a caganeira simultãnea, quando as pessoas tiverem mais distioradas.

    • François Cevert disse:

      Impossível deles entenderem pois cagam dia sim, dia não!!!

  15. Vitor Silva disse:

    Itália, Alemanha, Estados Unidos da América e todo o Reino Unido… Todas essas nações pedem para que seus conterrâneos se retirem imediatamente do Brasil. A bomba vai explodir aqui e eles sabem disso. Estamos à mercê de um senhor psicótico desconectado da realidade.

    • Eduardo Neto disse:

      Moro na Alemanha, mas minha familia tá ai no Brasil. E te digo: E por ai mesmo, eu tenho dito (e lamentado) no Brasil.vai ser punk!!!

    • Henrique disse:

      Em 2022 veremos quem tinha razão.
      Até lá… Dá-lhe Mito!

    • Paulo disse:

      Se eles soubessem teriam escapados todos. Quem sabe é a China que desenvolveu essa desgraça e não pôde controlar.

    • Ricardo disse:

      Enquanto a bomba para qual vc tá torcendo não explode, melhor ficar no Brasil. E nem venham com o truque vagabundo de atribuir a queda da evolução aos governadores. Inobstante a devastação económica que eles promovem, a maioria das pessoas tá circulando.

Lava Jato prende ex-secretário nacional de Justiça de Temer

Astério Pereira dos Santos, ex-Secretário Nacional de Justiça do governo Temer. Foto: Tasso Marcelo / AE

A Polícia Federal abriu nova fase da Operação Lava Jato no Rio nesta quinta, 5 e prendeu Astério Pereira dos Santos, ex-Secretário Nacional de Justiça do governo Temer. Segundo o Ministério Público Federal, Astério e outras 14 pessoas foram denunciadas por envolvimento em pagamento de propina a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Até o momento, sete pessoas foram presas, informou a PF.

A corporação faz ainda buscas em 32 endereços. As ordens foram expedidas pelo juiz da 7ª Vara Federal Marcelo Bretas.

Procurador de Justiça aposentado, Astério foi secretário de Administração Penitenciária entre 2003 e 2006, durante a gestão de Rosinha Garotinho.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Pedro disse:

    Devegarzinho vai chegar em Temer Tenebroso, que conseguiu enrolar Nove Dedos, Dilmanta e toda a corja funebre e mal cheirosa do PT. A Lava-jato não devia parar nunca, como quer alguns membros do STF e a maioria dos políticos brasileiros.

  2. Carlos disse:

    De jeito nenhum. Com certeza é fake. Kkkkkkk. Político desonesto neste país.! Não acredito.

  3. Cidadão Decepcionado disse:

    UM PROCURADOR DE JUSTIÇA DESONESTO?
    ISSO EXISTE MESMO?

    • Francisco disse:

      Nem ex presidente, todos honestos, inclusive os seus adoradores, esses é que são. Rsrsrs

Temer critica radicalização de Lula, prevê reeleição de Bolsonaro e vê estratégia na postura dos filhos do presidente

Foto: Montagem/(Agência Câmara/Reuters)

Na entrevista a O Antagonista, Michel Temer disse acreditar que a polarização estará mantida no cenário político brasileiro nos próximos anos e previu a reeleição de Jair Bolsonaro em 2022, se a economia melhorar.

“Ele [Bolsonaro] tem um bom índice de aprovação. Evidentemente, ele joga sempre para esses 30%, 35% [do seu eleitorado]. Se a economia for bem, eu acho que ele tem chance. É um candidato muito competitivo, sem dúvida. Já começa pelo fato de ser presidente. E se somarmos a isso uma economia crescendo… A economia é tudo. Aí, você sabe, a chance é muito grande.”

Temer criticou a postura dos filhos de Bolsonaro, mas acredita que há uma estratégia por trás das interferências da família no governo e as crises virtuais.

“Se você me perguntar: ‘Será que vale a pena isso que está sendo feito?’ Para as minhas teses, não. Porque as minhas teses são de pacificação do país, de unidade do país. E claro que essas coisas acabam radicalizando. Agora, Bolsonaro tem uma grande experiência parlamentar, 28 anos no Congresso Nacional fazendo política, os filhos são políticos. Eu acho que pode ser uma estratégia. Do tipo o seguinte: ‘Bem, eu tenho de 30% a 35% do eleitorado, [então] eu vou conservar isso, que é um eleitorado muito sólido, firme em relação a ele [Bolsonaro]’. Mas também é um pouco do estilo dele, o estilo dele sempre foi esse também.”

Na avaliação de Temer, os primeiros discursos de Lula ao deixar a cadeia confirmam a impressão de que a polarização estará mantida em 2022.

“Ele [Lula] radicalizou. Essas coisas de radicalização, de um lado e de outro, não são úteis para o país. Eu sairia [da cadeia] pregando. Não quero comparar com o [Nelson] Mandela, mas eu sairia… É um problema de [falta de] sabedoria política. Ele não foi sábio politicamente. Eu compreendo até as emoções, ele passou 500 e poucos dias na cadeia. Mas tem que ter frieza.”

O Antagonista

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Luciano disse:

    O PIOR É QUE TEMER TEM RAZÃO: BOZO É UMA VERSÃO DELE PIORADA. POIS ALÉM DE ODIAR POBRE, GAYS, NEGROS É MULHERES, ADORA MENTIR DESCARADAMENTE.

  2. Zé priquito disse:

    Temer e o que o gato enterra é a mesma coisa.

  3. Gilvan disse:

    Com um governo de 90 por cento de rejeição não tem cacife para opinar.

  4. Pedro disse:

    Condições = confissões…….

  5. Pedro disse:

    O jararaca nove dedos devia escutar essa outra cobra da política Nacional. Eles se completaram no passado, esse é matreiro, ladrão de fina estampa, vive em todo o tempo, uma raposa em pele de cordeiro, já o pingunço querendo dar uma de sabido, sai logo atirando, para recompor o seu eleitorado, devia se lembrar que não tem sombra, cumpanhero, dinheiro, empreiteira e financiadores, bem como apelo folclórico de sofredor já que ficou rico roubando, outra, a máquina do governo está nas mãos de um adversário que vai vender caro a sua saída, como mesmo reconheçe Temer. Nove dedos para ser eleito a primeira vez levou 12 aninhos para convencer os incautos, agora com as condições de seus próprios lugares tenente iguais a Leo Pinheiro, Marcelo e Emilio Odebrecht, o coroinha Palocci e mais uma centena de amigos, além da sua idade e políticos de carisma e peso ao seu lado, a estrada vai ser longa. Ninguém aguenta mais tanto pavoneio, arrogância e mentira.

  6. Bira disse:

    Temer está em destaque nas notícias de hj…. quem está ganhando com essa promoção toda???

    • Henrique disse:

      Lula esteva preso porque roubou , certíssimo. E temer que rouba há 40 anos e livre,leve e souto.

Para Temer, troca de votos por emendas e cargos “faz parte da democracia”

Foto: Francisco Stuckert/Agência F8/Estadão Conteúdo

Jair Bolsonaro assumiu o governo prometendo o fim do “toma lá, dá cá”. Em seu primeiro grande teste, a votação da reforma da Previdência na Câmara, o presidente acabou se valendo da liberação de emendas impositivas e da distribuição de cargos federais no segundo escalão para garantir a aprovação da proposta.

Perguntamos a Michel Temer se ele acha que Bolsonaro conseguirá votar alguma coisa sem emendas e cargos colocados à mesa das negociações.

Na entrevista a O Antagonista, o ex-presidente respondeu assim:

“Fala-se muito dessa história de ‘toma lá, dá cá’. Mas eu tenho a convicção de que o Legislativo há de ser uma espécie de parceiro do Executivo, não é? Eu emparceirei o Legislativo com o Executivo. Tanto que fiz um governo quase congressual, trouxe muitos ministros do Parlamento. Muitas vezes eu vejo a liberação de emendas impositivas. E vejo: ‘Ó, o governo está liberando para conseguir voto disso e daquilo’. Mas faz parte da democracia. Porque quando libera emenda, não é que o deputado vai pegar o dinheiro e botar no bolso, [o dinheiro] vai para o município tal, para o estado tal. Faz parte do jogo congressual, do fazer política.”

Faz parte do fazer política?

“É claro que ninguém está imaginando gestos de corrupção. Mas liberação de emendas é mais do que natural.”

Perguntamos se não é possível um parlamentar votar a favor de uma reforma da Previdência, por exemplo, simplesmente porque considera aquela proposta importante para o país.

“Compreendo. Mas se ele [o parlamentar] revelar que está atrás daquela emenda para beneficiar o seu município ou o município da sua região… Eu acho que isso ele pode explicar.”

Questionamos Temer se o Centrão de hoje é uma continuidade do Centrão de Eduardo Cunha, que ele conhece muito bem.

“Não acho que [o Centrão] exista não. O Centrão é uma coisa do meu tempo. Convenhamos, quando eu fui constituinte, o grande movimento que se fez foi do chamado Centrão, que depois foi transplantado para estes tempos aqui. Eu não acho que seja ligado a Eduardo Cunha. São partidos que, de repente, se coligaram. Aliás, se nós pensássemos em uma grande reforma política, quem sabe um dia essas partidos todos pudessem formar um único partido.”

Temer é defensor ferrenho do que considera semiparlamentarismo. Perguntamos se Rodrigo Maia atua hoje como uma espécie de primeiro-ministro. Ele respondeu puxando para si.

“O Parlamento teve grande protagonismo no meu governo, porque o presidente da República admitiu. Quando chegou o início do governo Bolsonaro, havia umas dúvidas em relação à reforma da Previdência e o Legislativo assumiu. A imprensa falou até em parlamentarismo branco. Neste período da Constituição, nós vivemos três impedimentos, três impeachment. E eu vivi o último e sei que isso é um trauma para o país, não tenho a menor dúvida disso, um trauma institucional. Os fatos estão levando a uma conclusão que não e improvável que, em breve tempo, você caminhe para um sistema semiparlamentarista ou sempresidencialista. Digo ‘semi’ porque não estou falando do parlamentarismo inglês, onde o rei reina, mas não governa. Estou falando do parlamentarismo português, francês, em que o presidente tem também grande presença. Quando você caminha nesse sistema, você evita os traumas institucionais. Porque se o governo cai, cai e substitui por outro. Você tem a possibilidade, como cidadão, de, ao apontar o dedo, não apontar apenas para o Executivo, porque você aponta para o Legislativo, o Legislativo passa a ser executor das medidas do governo. O que dará uma responsabilidade muito maior para o Parlamento.”

E qual o papel do MDB no governo Bolsonaro? O ministro da Cidadania, Osmar Terra, é emedebista, assim com os líderes do governo no Senado, o enroladíssimo Fernando Bezerra Coelho, e no Congresso, Eduardo Gomes — apenas para citar os exemplos mais latentes. Além disso, o ex-senador Romero Jucá continua se movimentando em Brasília.

“[O papel do MDB] é apoiar as boas causas do governo. No começo, tinha muito essa história de velha política, nova política. E, data vênia, não é isso que vai presidir o governo. O governo tem é que trabalhar com o que tem. E, portanto, tem muita gente da chamada velha política que pode colaborar muito com o governo. Tanto que ele [Bolsonaro] chamou os líderes do MDB. A ideia é justamente esta: apoiar todas as teses do governo que são boas para o país. Agora, eles [do MDB] não vão se incorporar ao governo. É apoiar as teses importantes.”

Mas Osmar Terra, por exemplo, é governo, insistimos.

“Não é verdade [que Osmar Terra é homem meu no governo Bolsonaro]. Osmar Terra foi homem meu, sempre foi muito ligado a mim. Eu o nomeei ministro do Desenvolvimento Agrário e Social e ele deu bons resultados. Neste segundo momento, não. Eu saí com aquela sensação de que não estou mais no poder e tenho que ser extremamente discreto. A sensação que eu tenho é de que foi uma escolha pessoal do Bolsonaro.”

Então, quer dizer que Temer não manda mais nada no MDB?

“Não mando em ninguém. Quando você chega à Presidência da República, a primeira coisa que você tem que fazer [quando não é mais presidente] é ser extremamente discreto, para não dar aquela sensação de que ‘ah, eu queria estar no poder’. Um segundo ponto é que você pode se transformar numa espécie de conselheiro, afinal nós temos toda uma estrada política, alguns conselhos a gente pode dar. Então, não é incomum que muita gente venha aqui me visitar cordialmente, mas também para me ouvir um pouco. Então, você vira uma espécie de conselheiro, só isso. Nada além disso. Quem foi presidente sempre pode aconselhar.”

Temer conhece os porões de Brasília como poucos. Perguntamos se ele acredita na existência de um acordão para salvar Flávio Bolsonaro das investigações em curso envolvendo o filho do atual presidente da República.

A resposta veio com o ex-presidente voltando a defender um “pacto” em Brasília:

“Eu não saberia responder. Neste momento, não acho fácil, não acho fácil. Porque, é… Hoje, a figura do presidente da República, uma figura importante… Eu acho que, neste momento, o Brasil está dependendo de uma espécie de Pacto de Moncloa, de 1977, na Espanha, quando se reuniram a oposição e todas as lideranças e fizeram um pacto. Aqui era preciso caminhar para isso. Mas, para isso, era preciso pregar, pregar pregar. Ora bem, nós temos larga polarização, marcada pela radicalização. Não é uma polarização de ideias, é um conflito quase pessoal. Então, isso dificulta esse pacto. Era preciso fazer aqui um ‘Pacto do Alvorada’. Não é fácil. Neste momento, não acho fácil.”

O Antagonista

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Cigano Lulu disse:

    Num ponto em particular Temer e a petralhada lularápia devem convergir: nada é mais "democrático" do que roubar os cofres públicos.

  2. Chico tripa disse:

    Véi da cara de quenga ruim.

  3. nasto disse:

    Esse CABRA era para estar PRESO e não conversando ASNEIRA.

Temer revela que aconselhou Bolsonaro, após eleito, sobre relações com China e Congresso e sustenta que ele está dando sequência ao seu governo

Foto: Divulgação/O Antagonista

O ex-presidente Michel Temer recebeu O Antagonista em seu escritório de advocacia, em São Paulo, e revelou detalhes de sua relação com Jair Bolsonaro.

Temer contou, pela primeira vez, que, dias após o segundo turno da eleição presidencial no ano passado, Bolsonaro o procurou no Palácio do Jaburu para “pedir conselhos”.

“Logo em seguida que foi eleito, ele me visitou no Palácio para pedir conselhos. Ele me disse: ‘Presidente, que conselho o senhor me dá?’ Eu disse: ‘Olha, você foi eleito. Eu não vou dar conselho para quem teve quase 60 milhões de votos. Se você quiser que eu dê uns palpites, eu dou’.”

Temer, então, transpareceu sua preocupação com declarações de Bolsonaro sobre as relações com a China, os países árabes e o Mercosul.

“Eu dei palpites referente à China. Eu disse que a China é um grande parceiro comercial nosso. Porque ele tinha umas palavras… você, sabe não é? Disse a ele: ‘Se nós perdermos essa parceria, será um desastre aqui para nós. Segundo, os países árabes, Bolsonaro. Eu vou dizer para você: você andou dizendo umas coisas aí… Essa gente, os árabes, compram 40% da nossa carne de frango. Então, nós temos que ser multilateralista, Bolsonaro. Nós não podemos ser unilateralista, nem os Estados Unidos podem. Os Estados Unidos têm poder político, econômico. Nós não temos. Nós temos que nos dar bem com todo mundo. Porque nós vivemos dessas exportações’. Argentina, por exemplo, ele tinha dito uma palavra… Eu disse: ‘Nós temos um superavit extraordinário, nós não podemos perder a Argentina. E o Mercosul, para nós, é importante. Foram os palpites que eu dei.”

No mês passado, Bolsonaro visitou a China e países do Oriente Médio para tratar de oportunidades de investimento e aprofundamento das relações comerciais.

Temer também disse ter aconselhado o então presidente eleito sobre a relação com o Congresso.

“Eu disse: ‘E a relação com o Congresso. Você passou no Congresso tanto tempo como eu passei. A relação com o Congresso é fundamental. Precisa acabar com essa bobagem, com a devida vênia, de presidencialismo de coalizão, de cooptação. Existe o presidencialismo estabelecido na Constituição. E é o seguinte: quem governa é o Executivo junto com o Legislativo. Eu fiz isso, Bolsonaro. Quando eu ia fazer reunião de líderes, eu tinha o presidente da Câmara de um lado e o presidente do Senado de outro lado. Isso que me permitiu governar, fazer as reformas’.”

Em pelo menos outras duas ocasiões, os dois se falaram: quando Bolsonaro foi internado em São Paulo para a retirada da bolsa de colostomia e quando da Assembleia Geral da ONU.

“Ele me telefonou na ONU, quando foi falar na ONU. Ele me telefonou para cumprimentar. Eu disse: ‘Muito sucesso. Fica tranquilo. Boa sorte a você aí’. Acho que ele quis fazer uma espécie de agrado a mim, porque eu falei bem dele, do governo dele’.”

Temer sustenta que Bolsonaro tem “dado sequência” ao seu governo.

“Ele tem sido até correto comigo, confesso. Porque ele tem reconhecido muitas vezes a modernização trabalhista. Sobre a Previdência, ele disse: ‘Lá atrás, quem enfrentou isso foi o Temer’. Ele está dando sequência ao que eu fiz. O que é interessante no nosso país é que cada governo que entra quer desmoralizar o governo anterior. Ele não fez isso com o meu governo. Você pode perceber que ele está dando sequência ao meu governo. No ângulo econômico e nos demais planos também. Ele tem uma boa relação com o Congresso, interessante. Ele foi mais ao Congresso do que eu fui. De vez em quando, ele sai andando e vai para o Congresso. Acho que ele encontrou mais com o Rodrigo Maia e com o [Davi] Alcolumbre do que eu me encontrava com os presidentes [da Câmara e do Senado].”

O Antagonista

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Antonio Turci disse:

    Temer teve seus méritos. Entretanto, jamais e em tempo algum os petralhas o reconhecerão.

  2. Rosi Sampaio disse:

    Pergunte para os brasileiros se alguém tem saudade do governo dele? Traíra, X9, rejeitado! Só sendo mesmo piada de mal gosto pedir conselhos a ele. O que tem a dizer um governo que a nação queria ver bem longe??? Desse nós nos livramos! Amém.

  3. Gilvan disse:

    Governo que ninguém tem saudades.96 por cento de rejeição.

LIVRO DE MEMÓRIAS: Janot afirma que Temer e Henrique Alves pediram que ele não investigasse Cunha

Foto: Jorge William/Agência O Globo/14-09-2017

A cena de abertura do livro de memórias de Rodrigo Janot, que será lançado em duas semanas, mostra o então vice-presidente Michel Temer pedindo a Janot, em março de 2015, que ele não investigasse Eduardo Cunha, recém-eleito na época para a Presidência da Câmara.

Em Nada menos do que tudo , escrito pelos jornalistas Jailton de Carvalho e Guilherme Evelyn, Janot conta que estava almoçando em sua churrascaria favorita em Brasília quando recebeu um telefonema. Era a secretária da Vice-Presidência. Temer queria vê-lo no Palácio do Jaburu.

Ao chegar ao Jaburu, Janot conta ter sido recebido por Temer e por Henrique Eduardo Alves e levado para uma varanda coberta do palácio.

“Eu chamei o senhor aqui porque quero conversar não com o procurador-geral da República, mas com um brasileiro preocupado com o Brasil, com um patriota”, teria dito Temer.

Em seguida, sem meias palavras, Henrique Alves disse a Janot que ele não poderia investigar Cunha:

“Cunha é um louco, pode reagir de forma imprevisível e colocar o Brasil em risco. Confiamos no senhor como brasileiro e como patriota para manter a estabilidade do país”, disse Alves, na versão de Janot.

Janot afirma ter se virado para Michel Temer e o questionado:

“O senhor é do Direito, a minha área, ele (Henrique Alves) não é. O senhor está entendendo a gravidade do que ele está propondo ao procurador-geral da República?”, perguntou Janot.

“Ele está propondo ao patriota Rodrigo Janot. Esse homem é muito perigoso, e a gente não sabe quais as consequências que poderão vir dele. Então apelamos para que o senhor não leve a cabo essa investigação, que a arquive”, teria pedido Temer.

Com palavrões, Janot conta no livro ter sido duro com a dupla:

“Olha, vice-presidente, eu acho isso muito complicado. Na verdade, não consigo separar a figura do patriota da figura do procurador-geral. O que os senhores estão me propondo aqui é que eu cometa um crime de prevaricação. Isso eu não farei jamais. E muito me estranha que o vice-presidente da República e o ex-presidente da Câmara dos Deputados venham fazer uma proposta indecorosa dessas ao procurador-geral da República. Estou chocado com a ousadia de vocês. Os senhores são responsáveis por esse homem estar assumindo a Câmara. Os irresponsáveis são vocês. Vocês é que são os não patriotas. Como é que vocês fizeram uma merda dessas?”.

Guilherme Amado – Época

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Ivan disse:

    Cunha foi condenado sem provas por um Juiz parcial, só pegou PMDBistas!!! E os outros bandidos??? #cunhalivre!!! Eleições sem Cunha é gópi!!!! Moro facista…kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  2. nasto disse:

    OS TRÊS são iguais. Cunha, Alves e Temer. Cadeia para todos é pouco.

Janaina Paschoal: Temer “sempre foi aliado do PT”

Foto: Carine Wallauer/UOL

Em entrevista ao Estadão, Janaina Paschoal foi perguntada a respeito da declaração de Michel Temer sobre o “golpe” durante o Roda Viva, na última segunda-feira.

Na ocasião, o ex-presidente afirmou: “Jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe” — os petistas fizeram um carnaval nas redes sociais. Ontem, como registramos, Temer disse à Rádio Gaúcha que “só foi golpe se a Constituição for golpista”.

“Olha, ele sempre foi aliado do PT. Os diálogos do Intercept mostram que, em meio ao processo de impeachment, ele estava em altas conversas com Lula, objetivando minar Moro e salvar Dilma. Para ele, pessoalmente, foi péssimo virar presidente. Os ‘negócios’ dele ganharam visibilidade. Só os petistas insistem em culpá-lo. Ele não teve nenhuma participação no impeachment. Havia um grande acordo entre os partidos, para manter seus esquemas. Talvez por isso ele fale em golpe”, disse Janaina.

A deputada estadual do PSL-SP, uma das autoras do pedido de impeachment que derrubou Dilma, também afirmou que parte da oposição, à época, não se entusiasmou com a ideia logo no início do processo.

“Foi a luta do povo. A pressão. O meu trabalho técnico, a pressão popular e alguns políticos mais jovens. Foi bem mais complexo do que tentam fazer crer. Os políticos tradicionais, inclusive FHC, não queriam. O impeachment abriu a caixa de pandora, que eles querem fechar.”

Perguntada se teria feito a coisa certa ao pedir o impeachment de Dilma, Janaina disse que “faria tudo de novo”. “Os crimes precisam ser punidos, não importa quem os cometa. Vamos limpando aos poucos. O que você queria? Que eu me conformasse?”, questionou.

O Antagonista

 

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Manoel disse:

    Temer participou dos 13 anos do governo do PT, indicou ministros e milhares de cargos junto com o PMDB, foi tão bom aliado que foi escolhido pelo presidiário Lula para ser o vice de Dilma, aí quando tomou a cadeira dela foi que virou inimigo da turma que ele apoiava, simples assim.

  2. Greg disse:

    Era aliado e o PT não participou da base do governo Temer…vai entender essa mulher.

  3. Luladrao encantador de asnos disse:

    Ai é bem boazinha do Juízo. Bozonaro e seus filhos corruptos e milicianos tem menos merda na cabecinha do que ela. Pouca diferença, mas tem…

Dono da Gol assina delação premiada e acusa Temer, Cunha e Geddel

Foto: Evaristo Sá / AFP

Um dos donos da companhia aérea Gol , o empresário Henrique Constantino assinou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal e pela primeira vez admitiu pagamentos de propina em troca da liberação de financiamentos da Caixa Econômica Federal para suas empresas. A delação foi homologada pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal do DF, e traz acusações contra políticos do MDB, como o ex-presidente Michel Temer e o ex-ministro Geddel Vieira Lima.

O empresário relatou relacionamento com esses políticos do MDB e contou ter participado de uma reunião com o então vice-presidente da República Michel Temer, em 2012, na qual houve a solicitação de R$ 10 milhões em troca da atuação dos emedebistas em favor dos financiamentos pleiteados pelo seu grupo empresarial na Caixa.

Pelos crimes cometidos contra o banco, Henrique Constatino se comprometeu a pagar R$ 70,7 milhões aos cofres da Caixa. O valor corresponde a dez vezes a propina paga por ele ao operador Lúcio Funaro, de R$ 7,7 milhões, que seria distribuída aos políticos do MDB. Do total acordado, R$ 63,3 milhões serão pagos por meio de seis depósitos semestrais, cuja primeira parcela tem que ser efetivada no próximo dia 30 de maio, e a última em 30 de novembro de 2021. Outros R$ 7 milhões serão pagos em até 60 dias e vão ser usados na execução de projetos sociais ainda a serem definidos.

Os crimes na Caixa Econômica Federal são apresentados de forma detalhada, com provas documentais como e-mails e trocas de mensagens. Constantino conta que os pagamentos de propina eram feitos por suas empresas, após contratos fictícios de prestação de serviços, a empresas do operador Lúcio Funaro. Em troca, houve financiamento de R$ 300 milhões do fundo de investimentos do FGTS (FI-FGTS) para a empresa Via Rondon e ainda uma cédula de crédito bancário de R$ 50 milhões para a Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários. Ambas as empresas pertencem à família Constantino.

Henrique Constantino conta que iniciou o relacionamento com Funaro no fim de 2011, ao ser avisado por um outro empresário que o operador financeiro poderia ajudar a destravar o financiamento de R$ 300 milhões que estava na Caixa. Funaro o levou a reuniões no banco com integrantes da cúpula, como o então vice-presidente Fábio Cleto, ligado a Eduardo Cunha.

Após o início desse relacionamento, em junho de 2012 Constantino participou de uma reunião com Temer, o então deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) e o então deputado Henrique Eduardo Alves (MDB-RN). Todos os três foram presos por conta das investigações da Lava-Jato, mas Henrique Alves acabou solto posteriormente.

“Sobre a reunião em junho de 2012 em Brasília com Eduardo Cunha e Henrique Alves, informou ainda que se reuniu com eles e o então vice-presidente Michel Temer; que foi solicitado pelo grupo o valor de global de R$ 10 milhões em troca de atuação ilícita de membros do grupo em diversos negócios, como foi o caso da operação da Via Rondon com o FI-FGTS”, disse em seu depoimento.

Segundo Constantino, essa propina foi paga por meio de repasses via caixa dois à campanha de Gabriel Chalita (à época no PMDB, hoje no PDT) à Prefeitura de São Paulo em 2012 e por meio de repasses a empresas de Funaro. “Efetuou pagamentos para a campanha de Gabriel Chalita em 2012 (pagamentos de despesas), conforme combinado com o grupo, além de efetuar pagamentos para empresas indicadas por Funaro, como Viscaya e Dallas”, relatou. “Ficou claro para o depoente, nessa reunião, que a contribuição dos 10 milhões de reais era em troca de auxílio aos pleitos do depoente por esses membros do então partido PMDB”, disse em seu depoimento.

Em outra referência a Temer, Constantino afirma que o ex-presidente foi citado por Funaro como integrante do grupo de influência que poderia atuar em favor do empresário, em troca de propina. “Funaro expôs o poder de influência que tinha junto com seu grupo no âmbito do governo federal e instituições diversas, como o Postalis”, afirmou. O operador financeiro, então, “mencionou o então deputado federal Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, líderes que, segundo Funaro, poderiam auxiliar o depoente em outros negócios de seu interesse, em troca de vantagens indevidas; que, da mesma forma mencionou Michel Temer como membro desse grupo”, disse no depoimento.

Sobre Geddel, o empresário afirmou que o emedebista, então vice-presidente do banco, atuou na liberação de crédito de R$ 50 milhões para uma de suas empresas em troca de propina. “Após a aprovação da operação, Funaro informou que seriam destinados 250 mil reais a Geddel em razão de sua atuação”, afirmou.

Constantino já é réu em uma ação penal da Operação Cui Bono, na qual é acusado de corrupção ativa e lavagem de dinheiro pela propina na Caixa. As contribuições de sua delação serão usadas para complementar as investigações e também para abrir outras linhas de apuração.

Procurada, a defesa de Temer afirmou que não poderia comentar, porque desconhece e não teve acesso ao teor da delação. A defesa de Eduardo Cunha afirmou que ele nega as acusações e está se defendendo perante a Justiça. As defesas de Henrique Alves e de Geddel Vieira Lima ainda não responderam até a publicação desta matéria.

O Globo

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Jonas Pedrosa Filho Guhter disse:

    meu Deus Henrique tá em todas… bateu recorde. Pelo andar das coisas pode ser preso novamente

Temer é transferido da sede da PF para o Comando de Policiamento de Choque, em SP

O ex-presidente deixa sua casa para se entregar à PF. FOTO: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Atualizado às 15h40

O ex-presidente Michel Temer (MDB), preso desde quinta-feira da semana passada (9) na sede da Polícia Federal, na Lapa, em São Paulo, foi transferido nesta segunda-feira (13) para o Comando de Policiamento de Choque , da Polícia Militar, localizado na Luz, região central da cidade.

A PF alegou não ter condições de abrigá-lo. Por ser ex-presidente e advogado, a defesa alegou que Temer tem direito a uma sala de estado maior, o que não há no prédio da PF Lapa.

A juíza Carolina Figueiredo, da 7ª Vara Federal Criminal, no Rio de Janeiro, aceitou pedido da PF e determinou a transferência.

Em nota, a PF afirmou que “Conforme determinação da 7 Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro, o ex-presidente Michel Miguel Elias Temer Lulia foi transferido da Sede da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo para o Comando de Policiamento de Choque, onde deverá cumprir a prisão preventiva em sala de Estado-Maior”.

A Polícia Militar cogitou outras duas salas, ambas no prédio que abriga a Cavalaria, na Rua Dr. Jorge Miranda, a mesma rua em que fica o CP Choque.

Temer passou uma noite em uma sala de reunião no 9º andar do prédio da Superintendência da PF, a poucos metros do gabinete do superintendente. O espaço tem cerca de 20 m², usado em reuniões e para entrevistas coletivas, e não tinha banheiro.

No dia seguinte, Temer foi levado para outro local – uma sala no 10º andar, onde há banheiro, onde ficou no final de semana. Ele dispensou o direito a banho de sol, mas pediu para caminhar no corredor.

Nova sala

A reportagem da TV Globo apurou que Temer ficará na sala reservada ao subcomandante do Choque, um gabinete com banheiro privativo, frigobar, cama e mesa de reunião. Essa sala está vazia há 15 dias, depois que o subcomandante do CPChoq, coronel Strainfinger, se aposentou.

Temer vai receber a comida que os praças e os oficiais comem, mas continuará podendo receber alimentos por meio de seus assessores.

Irregularidades em Angra 3

Temer é acusado de chefiar uma organização criminosa que teria recebido R$ 1,091 milhão em propina nas obras da usina nuclear de Angra 3, operada pela Eletronuclear. O ex-presidente foi denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro afirma que a soma dos valores de propinas recebidas, prometidas ou desviadas pelo suposto grupo chefiado pelo ex-presidente ultrapassa R$ 1,8 bilhão.

Também se entregou à PF na tarde desta quinta João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, amigo do ex-presidente e sócio da empresa Argeplan. O coronel dormiu no Presídio Romão Gomes, da Polícia Militar, no Tremembé, Zona Norte da capital.

No início da noite, Temer e Lima foram fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), na região central de São Paulo.

O desembargador Abel Fernandes Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª região (TRF-2), determinou que Temer e Lima devem ficar presos em São Paulo.

Como foi a prisão

Na quarta-feira (8), Temer disse que iria se apresentar “voluntariamente”. Na primeira prisão, de 21 de março, o ex-presidente foi abordado na rua por agentes da PF. Os policiais estavam na porta da casa do ex-presidente quando um carro deixou a residência. O veículo começou a ser seguido pelos agentes, até que foi parado e Temer, preso.

Na quinta-feira, o comboio com o ex-presidente saiu da casa dele às 14h40 e chegou menos de 20 minutos depois à sede da PF. Por volta das 18h25, ele deixou a sede da PF para fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

A defesa de Temer queria que o exame fosse feito na própria sede da PF. “Há uma determinação do Conselho Regional de Medicina que proibiria os médicos de corpo de delito em unidade policial. Os médicos foram alvos de representação do CRM em razão disso. O princípio da determinação da resolução é preservar a integridade da pessoa que foi presa e permitir que ela seja examinada em ambiente em que ela não seja submetida a uma pressão”, disse Carnelós.

“Estamos falando de alguém que não foi buscado para ser preso, alguém que foi acompanhado de seus advogados para cumprir ordem determinada pelo TRF-2. Me parece despropositado que o CRM compreenda que não há nada que impeça que o exame seja feito na sede da PF”, declarou o advogado.

G1

 

Turma que apreciará habeas corpus de Temer negou liberdade a mulher que furtou frango e ovo de Páscoa

Foto: Ailton de Freitas | Agência O Globo

O habeas corpus apresentado pela defesa de Michel Temer para tirá-lo a prisão será julgado pela Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a mesma que em 2018 negou o pedido de liberdade de uma mulher que furtou cerca de 1 quilo de frango e ovos de Páscoa.

Na sua decisão, o relator do caso, o ministro Nefi Cordeiro, manteve a pena de 3 anos e 2 meses de prisão destacando que a ré era reincidente e tinha praticado furtos durante o cumprimento de pena em regime aberto.

A turma acompanhou o relator e manteve a mulher, que é mãe de quatro filhos, presa. O caçula nasceu no período em que ela já estava atrás das grades.

Blog Bela Megale – O Globo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Cigano Lulu disse:

    Pois diga.

  2. Lucia Helena Silva disse:

    Mas Temer tem dinheiro.Nao ficará preso.Justica nesse pais é para petro e pobre

Bancos encontram menos de R$ 15 mil em contas de Temer

Apesar da determinação da Justiça Federal de bloqueio de até R$ 32,6 milhões das contas bancárias do ex-presidente Michel Temer, menos de R$ 15 mil foram efetivamente bloqueados. Foi apenas este valor que os bancos encontraram nas contas do ex-presidente após a ordem do juiz federal Marcus Vinicius Reis Bastos, em 29 de abril, para o bloqueio dos valores.

As informações constam de um comunicado feito pelo Banco Central ao tribunal na última terça-feira (7), em cumprimento à decisão do juiz.

Este foi o segundo pedido de bloqueio de bens de Temer pela Justiça Federal. No primeiro, feito pelo juiz Marcelo Bretas, em março, a ordem de bloqueio foi de R$ 62 milhões.

No dia 29 de abril, a Justiça Federal fez um novo pedido, que estava sob sigilo. Foi neste que encontraram menos de R$ 15 mil nas contas do ex-presidente.

Procurada pelo blog, a defesa de Temer diz que este valor foi encontrado porque não havia mais dinheiro.

“Quando Marcelo Bretas decretou o bloqueio das contas, encontraram um total de 8,2 milhões. O decreto de bloqueio do juiz de Brasília não poderia mesmo encontrar aquela importância, que já estava indisponível, inclusive para novas ordens de bloqueios”, diz a defesa.

Ontem, Temer se entregou à Polícia Federal após ter novo pedido de prisão decretado pela Justiça. A acusação do MPF fala em corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Temer é acusado pelo MPF de ser o chefe de uma organização criminosa que movimentou R$ 1,8 bilhão.

Contas de Temer

De acordo com o documento enviado pelo BC, ao qual o blog teve acesso, cinco bancos prestaram informações ao Banco Central.

Dois deles informaram que Temer não possuía conta ou possuía apenas contas inativas nas instituições; dois registraram que não houve bloqueio porque não havia saldo; e um informou ter bloqueado R$ 14.654,50, que era o saldo presente na conta.

O amigo pessoal do presidente, João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, também foi alvo do bloqueio. Ele tinha R$ 18.779,77 em duas contas de bancos diferentes. Um terceiro banco confirmou a existência de uma conta de Lima, mas sem saldo.

O bloqueio foi pedido ainda em abril pelo Ministério Público Federal na ação penal em que Temer é réu no que ficou conhecido como o inquérito dos Portos.

É a quinta ação penal na qual o ex-presidente se tornou réu e tem como alvo o decreto que alterou as regras de concessão do setor de portos, publicado em 2017. Atualmente, Temer é réu em seis processos e investigado em cinco inquéritos.

Para o Ministério Público Federal, Temer recebeu propina em troca de benefícios concedidos para o setor portuário, como o decreto assinado por ele há dois anos. A denúncia envolve os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O valor de R$ 32,6 milhões a ser bloqueado foi calculado pelo MPF com base na movimentação financeira das empresas das quais Lima era sócio – elas também foram alvo do pedido de bloqueio – e que seriam utilizadas para o recebimento de valores.

Nas contas das empresas de Lima foram bloqueados R$ 475.044,69 – a maior parte estava em contas da Argeplan Arquitetura e Engenharia, empresa pela qual Lima era mais conhecido.

O bloqueio de bens e valores também atingiu imóveis e veículos dos réus. Ficaram indisponíveis, ou seja, não podem ser vendidos 14 imóveis e três automóveis do ex-presidente, incluindo um carro de luxo. Já o coronel Lima também teve três automóveis que estavam em seu nome bloqueados, além de sete veículos de suas empresas que também ficaram indisponíveis.

G1

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Tarcísio Eimar disse:

    Confisca os recebíveis dele nos alugueis

  2. Dilmanta disse:

    Deixa de ser besta… todo mundo sabe que as raposas não botam dinheiro em banco, mas sim em outros investimentos pouco rastreáveis… vai lá dar uma olhadinha na Suíça, Ilhas Cayman, Luxemburgo, Hong Kong e outros paraísos fiscais…

Temer ficará preso em sala improvisada como cela na PF de São Paulo

Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

O ex-presidente Michel Temer ficará preso numa cela especial na Superintendência da Polícia Federal no bairro da Lapa, região Oeste da capital. Segundo um delegado da PF, será uma cela “nos moldes” de Sala de Estado-Maior. Ele afirmou que a sede da PF não tem uma sala pronta para atender à determinação judicial.

O desembargador Abel Gomes, presidente da Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), acatou o pedido da defesa do ex-presidente para que ele cumpra prisão preventiva em São Paulo, uma vez que a família dele é de São Paulo.

— A gente cria na hora, se adapta para atender. É uma sala para autoridades ou para pessoas que correm certo risco, pela posição e importância que exerceram no cargo — disse o delegado.

A cela será individual, com banheiro, cama e mesa. O direito a outros benefícios, como televisão, visita íntima e recebimento de jornais e revistas, dependerá da decisão da Justiça.

O Estado-Maior, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), é formado pelo “grupo de oficiais que assessoram o comandante de uma organização militar (Exército, Marinha, Aeronáutica, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar)”. A sala de Estado-Maior é, portanto, “o compartimento de qualquer unidade militar que (…) possa por eles ser utilizado para exercer suas funções”.”

Alguns parâmetros físicos diferem uma cela comum e a Sala de Estado-Maior. A cela tem como finalidade manter alguém preso e, por isso, contém grades. Já a sala “apenas ocasionalmente é destinada para esse fim”, segundo o STF, e deve oferecer instalações e comodidades dignas, além de condições adequadas de higiene e segurança.

O Globo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. #FORATEMER🤣 disse:

    Coloque junto com o ladrao condenado Lula….para jogarem cartas Na cela, #lulaetemerlivre 🤣🤣🤣
    Os PTralhas choram, está faltando a ANTA DA DILMA, aquela que queria engarrafar vento

Temer deixa casa para se entregar à Justiça após ordem de prisão

Ex-presidente Michel Temer passou quatro dias preso na PF do Rio em março e voltou para casa após conseguir um habeas corpus Foto: Amanda Perobelli / Reuters (25/03/2019)

O ex-presidente Michel Temer (MDB) deixou sua casa, no Alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, às 14h45 desta quinta-feira para se apresentar à Justiça . Na noite de quarta, ele havia prometido se entregar voluntariamente, mas estava esperando a expedição do mandado de prisão. À tarde, a justiça deu prazo para que ele se entregasse até às 17h .

Neste processo, Temer e outras sete pessoas são investigados por desvio de dinheiro público nas obras da Usina Angra 3, no Rio. Ele chegou a ser preso pela Polícia Federal (PF) no meio da rua em 21 de março. Foi solto quatro dias depois por conseguir um habeas corpus.

A medida foi revogada nesta quarta-feira pela Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Também deve voltar para a prisão o coronel João Baptista Lima, amigo de Temer. Os outros seis investigados, entre eles o ex-ministro Moreira Franco, tiveram o habeas corpus mantido.

Parte das investigações contra Temer foi motivada pela delação de José Antunes Sobrinho, ex-sócio da Engevix, homologada em outubro do ano passado. Ele disse ter pago, em 2014, R$ 1,1 milhão de propina a pedido de coronel Lima e do ex-ministro Moreira Franco, com anuência do ex-presidente.

Antunes também informou à força-tarefa da Lava-Jato que foi procurado por Lima em 2010. Na ocasião, segundo ele, o coronel prometeu interferir no projeto da obra de Angra 3, com o aval de Temer, em troca do pagamento de propina.

A empresa Argeplan, do coronel Lima, participou de um contrato de R$ 162 milhões com a Eletronuclear para atuar nas obras de Angra 3, em parceria com a AF Consult, empresa que teve sedes na Suíça e Finlândia. A construtora Engevix tocaria a obra como subcontratada.

Outro delator, o doleiro Lúcio Funaro, informou à Justiça que o coronel Lima atuava como operador do presidente Temer junto à empresa estatal Eletronuclear, responsável pelas obras da usina de Angra 3. Funaro garantiu que Temer participou de esquemas de pagamento de propina a políticos do MDB, antigo PMDB, e se beneficiou deles.

Segundo o delator, o ex-presidente teria recebido valores pagos pela empreiteira Odebrecht, além de ter sido beneficiado em esquemas de propina no Porto de Santos e também por repasses do Grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O Globo

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Cesar Filho disse:

    Falta o Queiroz!

  2. Antônio disse:

    Será que está perto de Queiroz e 01 ir também.

    • Lucia Helena Silva disse:

      Falta o almofadinha Aécio Neves
      Também sei que o Temer se muito ficar preso ficará 03 dias.

  3. Antônio disse:

    #TEMERlivre

  4. Serviço público a desejar disse:

    🙌🙌Falta só a anta da Dilma !!!!

    • Lobo disse:

      Ela é igual a Aécio, tem as costas muito largas. Mas um dia eles cairão, junto com seus protetores.

Temer vira réu pela sexta vez, agora por organização criminosa e obstrução de Justiça

O ex-presidente Michel Temer — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da Justiça Federal em Brasília, decidiu transformar o ex-presidente Michel Temer em réu pela sexta vez. Ele vai responder por organização criminosa junto com os ex-ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco. O ex-presidente também virou réu por obstrução de Justiça.

A denúncia foi recebida pelo juiz na última sexta-feira (3), e a decisão foi disponibilizada nesta segunda (6).

O G1 tentava contato com a defesa dos acusados até a última atualização desta reportagem.

A denúncia foi inicialmente apresentada ao Supremo Tribunal Federal em 2017 pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Temer foi acusado de comandar uma organização criminosa e de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

No mês passado, depois de o caso ser enviado para a primeira instância judicial, a acusação foi ratificada pelo Ministério Público Federal em Brasília.

Na denúncia, o Ministério Público acusa Temer de, entre outros pontos, ter instigado o empresário Joesley Batista, um dos sócios do grupo J&F, a pagar “vantagens indevidas” ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ) para que o ex-deputado fluminense não fechasse acordo de delação premiada.

O episódio foi revelado depois que veio à tona o áudio de uma conversa entre Temer e Joesley no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência da República.

Em meio à conversa gravada pelo empresário, há um trecho em que, na avaliação do Ministério Público, o emedebista sugere a manutenção do pagamento de propina a Eduardo Cunha. “Tem que manter isso, viu?”, disse Temer a Joesley em meio ao diálogo gravado pelo dono da J&F.

“A denúncia se fez acompanhar de documentos que lhe conferem verosimilhança”, destacou o juiz Marcus Vinícius Reis Bastos. Ele considerou que a denúncia preenche os requisitos para se transformar em ação penal e determinou que os três réus apresentem defesa por escrito em dez dias.

Segundo o juiz, tratam-se dos mesmos fatos investigados no inquérito sobre o chamado “quadrilhão do MDB”, que já corre na Justiça Federal em relação a pessoas sem foro. No caso, são réus, por exemplo, o coronel João Baptista Lima Filha, o coronel Lima, e o ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Durante a fase de ação penal, serão analisadas provas e coletados depoimentos de defesa e de acusação. Ao final, ocorre o interrogatório do réu. Somente depois disso o juiz vai decidir se eles são culpados ou inocentes das acusações.

À época da denúncia, Temer tinha prerrogativa de foro privilegiado de presidente da República, mas a denúncia nem chegou a ser analisada pelo Supremo. Em outubro de 2017, a Câmara dos Deputados rejeitou o prosseguimento da denúncia por maioria e a acusação dos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça foi suspensa até que Temer deixasse a Presidência.

Ao final do mandato de Temer em janeiro, a denúncia da PGR foi encaminhada à Procuradoria da República no Distrito Federal. Na primeira instância, a acusação contra o ex-presidente foi distribuída à força-tarefa da Operação Greenfield, que apura os crimes praticados por suspeitos de integrar uma organização criminosa investigada pelas operações Sépsis e Cui Bono.

G1

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. joao disse:

    Incrivel… esse pessoal do pmdb que se associou ao pt estao no mesmo nivel de corrupcao. sao siameses… daqui a pouco temer passa lula em numero de processos.

  2. Anti-político de estimação disse:

    Quando é que esse bandido vai ser preso mesmo, heinnn???

  3. Observadora disse:

    enquanto isso o Queiroz continua desaparecido

  4. Manoel disse:

    É gópi!? Eu achava que só o PT era "perseguido" pela Lava Jato! Assim como é que vai se sustentar o argumento de que Lula é preso político?

Procuradoria vai pedir que turma do TRF-2 reverta soltura de Temer

A Procuradoria Regional da República da 2ª Região vai entrar com um recurso contra a soltura do ex-presidente Michel Temer (MDB) e solicitará que os habeas corpus dos alvos da Operação Descontaminação sejam julgados pela 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

Caberá, porém, ao próprio desembargador Ivan Athié, que proferiu a decisão de soltura, decidir quando levará o assunto à 1ª Turma, já que ele atualmente é o presidente do colegiado.

Os procuradores ainda estudam a argumentação que vão apresentar no recurso, mas a ideia é pedir que Athié leve o habeas corpus para análise dos demais desembargadores da 1ª Turma. Composta também pelos desembargadores Abel Gomes (considerado mais linha-dura) e Paulo Espírito Santo, o colegiado decidirá se a soltura dos alvos da operação pode ser mantida ou se eles devem voltar para a prisão.

Na última sexta-feira, Athié havia decidido levar o habeas corpus para 1ª Turma nesta quarta-feira. Nesta segunda, porém, o desembargador federal resolveu proferir uma decisão monocrática (individual) e proferir sozinho a soltura dos alvos da operação, dentre eles Michel Temer. Além de dar a decisão monocrática determinando a soltura, Athié mandou retirar os habeas corpus da pauta da sessão da 1ª Turma nesta quarta-feira.

Depois que a PRR-2 protocolar o recurso contra sua decisão, Athié poderá resolver levar o habeas corpus ainda para a sessão desta quarta-feira ou postergar a discussão do assunto pela 1ª Turma para uma outra data.

O Globo