
O Blog do BG teve acesso ao vídeo dos depoimentos do casal Carla Ubarana e George Leal, apontados como mentores do esquema de fraudes nos pagamentos dos títulos de precatórios do Tribunal de Justiça.
De acordo com o construtor George Leal, o dinheiro desviado tratado como “dinheiro extra e fácil”, era dividido para três fins: viajar, melhorar os carros e fazer investimento imobiliário. Um detalhe interessantes é a forma como ele Leal trata do luxo que tinha com terrenos e carros.
Questionado sobre os imóveis, George começa a falar do terreno que comprou em Baia Formosa de 2,4 mil metros quadrados de área.
“De investimento eu comprei um terreno de 80 [metros] por 30 [metros] em Baia formosa. A partir daí, fiz todo o projeto da casa com piscina olímpica. A casa é toda em [mármore] travertino. Comecei a fazer jardins enormes 84 palmeiras, 25 mil pedras, 200 caçambas pra fazer os jardins suspensos. Posteriormente comprei os dois terrenos da frente. Posterior, comprei as duas casas de cima”, porém, no meio do depoimento, ele é cortado pelo responsável pelo depoimento para começasse a falar dos outros imóveis, mas aí vem a tirada de George que parece piada: “Eu estou dizendo que essa casa vale muito dinheiro”. Tá bom então. Depois dessa, vai falar mais o que?
Mas o luxo não para por aí. Quando ele fala de carros é que vem a humildade-mor. Ele, que começou com um Ômega e uma Pajero, ambos usados, conta como foi negociando carros até chegar nos Mercedes GL 500 e SLS. Quando ele descreve a SLS, é possível ter uma noção de quão luxuosa era a vida de George.
“Eu fiz negócio na Merdeces L8 numa GL 500 e num SLS. A SLS é um carro esportivo da Mercedes, é aquele que faz o safety car da Fórmula 1, mas não é o McLaren que o povo fala que é de Eike Batista. Aquele aumenta o valor muito”. Traduzindo? Uma SLS está de bom tamanho. Não tem pra que ter o carro do Eike Batista se já se tem o carro do safety car da Fórmula 1, mais conhecido como “Asa de Gaivota”, por causa da abertura das portas, avaliado em mais de meio milhão de reais, algo em torno dos R$ 650 mil. É mole?
Outro momento espantoso foi quando George disse que nesses anos do esquema calcula ter gastado R$ 1 milhão e 250 mil reais em viagens e palácios franceses.
George isenta amigos de culpa
O empresário do ramo da construção George Leal confessou ter participado do esquema e confirmou os amigos-empresários Carlos Alberto Fasarano e Carlos Eduardo Palhares eram usados como laranjas, porém sem ter ciência do esquema fraudulento.
“Com Carlos Alberto e Carlos Eduardo, minha esposa pediu duas contas de amigos para colocar um dinheiro do precatório. Pedi um favor a eles. Disse ao Fasanaro que era dinheiro de medição de obra, que estava querendo dividir pra não entrar dinheiro na minha conta. Ele não sabia que era de precatório. Carlos Eduardo eu dizia que era compra de precatório. Os dois são amigos de infância e aceitaram. [Eles] eram totalmente inocentes”, contou.
Nesse clima de desculpas, o construtor inclusive ficou aos prantos diante das autoridades que estavam tomando os depoimentos. Ele não segurou as lágrimas e caiu no choro ao pedir desculpas aos amigos.
“Queria pedir desculpas aos amigos. São totalmente inocentes. Não sabiam de ilegalidade nenhuma”, finalizou.
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