Saúde

Proteção da vacina Coronavac só é atingida 15 dias após 2ª dose, diz estudo

Uma parcela significativa das pessoas que recebem o imunizante CoronaVac desenvolve anticorpos após a primeira dose, porém, a proteção contra a Covid-19 só é alcançada cerca de 15 dias após a segunda dose. Antes disso, a pessoa é inoculada, mas não pode se considerar imunizada, alertam cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que investigaram se e quando os vacinados desenvolvem proteção.

 

— A boa notícia é que a CoronaVac realmente estimula uma produção robusta de anticorpos neutralizantes na maioria das pessoas. Porém, a importante nota de cautela é que isso acontece apenas depois da segunda dose. Quem tomou uma dose só não deve se sentir protegido porque não está — destaca o imunologista Orlando Ferreira, um dos coordenadores do Laboratório de Virologia Molecular (LVM) da UFRJ.

Esses anticorpos neutralizantes são os que de fato importam, pois atacam diretamente o Sars-CoV-2. No estudo, os cientistas analisaram a capacidade de neutralização do vírus de 68 pessoas vacinadas. Os testes revelaram que 42 dias após a primeira dose (14 depois da segunda) 84% das pessoas apresentaram anticorpos neutralizantes.

O estudo vai além da observação de redução de internações. Mostra que realmente a vacina está cumprindo o que promete, isto é, defesa na forma de anticorpos. Isso é feito por meio de um teste que detecta especificamente os anticorpos neutralizantes no soro das pessoas vacinadas.

 

— Todavia, não sabemos quanto tempo esses anticorpos vão durar. Ainda é muito cedo para dizer isso — acrescenta Ferreira.

Os indivíduos estudados são em sua maioria profissionais de saúde vacinados no Centro de Triagem e Diagnóstico para a Covid-19 (CTD) da UFRJ. O estudo ganha ainda mais relevância porque a CoronaVac, até agora, é praticamente a única vacina com a dosagem complea aplicada no Brasil.

 

Dados de 6 de abril, compilados pelo epidemiologista Guilherme Werneck, professor do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ, mostram que ela responde por 82% das 21,5 milhões de doses aplicadas. E, se levada em conta apenas a imunização (duas doses), o índice chega a 99%.

Devido aos sucessivos atrasos na entrega de doses e na produção da BioManguinhos-Fiocruz, a parcela de brasileiros que receberam a vacina da AstraZeneca, a primeira escolha do governo Bolsonaro, é insignificante.

Proteção contra a P1

Uma pesquisa epidemiológica realizada em Manaus com imunizados e apresentada esta semana pelo grupo Vebra Covid-19 sugeriu que a CoronaVac teve 50% de eficácia em reduzir o adoecimento 14 dias após a primeira dose. O estudo sugere que ela protege contra a temida variante P1, dominante em Manaus. Os dados após a segunda dose ainda não foram apresentados.

— Há alguma produção de anticorpos depois da primeira dose, mas não dá para confiar, não é neutralizante. Porém, os anticorpos aumentam muito depressa, espetacularmente, depois da segunda inoculação — enfatiza Ferreira.

 

A vacina é motivo de otimismo no que diz respeito à proteção contra a Covid-19, mas os cientistas salientam que ela não impede a infecção pelo coronavírus, assim como todas as demais vacinas em uso até agora. As pessoas vacinadas não adoecerão, mas podem ser infectadas e transmitir o Sars-CoV-2. Essas pessoas são em sua maioria assintomáticas.

É por isso que mesmo os vacinados precisam continuar a usar máscara até que pelo menos 70% da população brasileira esteja imunizada. Hoje, segundo o MonitoraCovid-19/Fiocruz, apenas 3,68% dos brasileiros receberam duas doses.

Casos de vacinados que se infectam têm sido registrados no CTD, que faz acompanhamento das pessoas imunizadas. Terezinha Castiñeiras, coordenadora do CTD e chefe do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da UFRJ, diz que vacinados infectados voltam ao CTD com pouco ou nenhum sintoma e, alguns, com carga viral (concentração de vírus) alta. Das 718 pessoas vacinadas no CTD, de 21 de janeiro a 5 de abril, 20 voltaram infectadas.

 

— Essas pessoas continuam a poder a transmitir o vírus e não há muita diferença entre a carga viral de vacinados e não vacinados. O que assusta é que essa carga está muito alta, a maior de toda a pandemia, um indicador do potencial elevado de transmissão — diz Castiñeiras.

A carga viral é estimada pelo CT indicado pelo exame de RT-PCR. O CT (do inglês cycle threshold) é um valor que diz respeito ao número de vezes que foi preciso amplificar o material genético do coronavírus para que este fosse detectado. Assim, quanto maior o CT menor a quantidade de vírus.

Uma nota técnica do CTD desta semana informa que o aumento da positividade do RT-PCR aumentou gradativamente. Era 11,6% (período de 21/02 a 06/03) e foi aumentando até chegar a 27,1% (de 21/03 a 03/04). No mesmo período, o CT caiu e chegou ao valor médio mais baixo detectado em toda pandemia.

 

A nota destaca que isso significa “aumento de transmissibilidade e, consequentemente, potencial de explosão de casos nas semanas subsequentes, alertando para a relevância da intensificação das medidas de contingência”.

O virologista Amílcar Tanuri, também coordenador do LVM/UFRJ, diz que a diferença de carga viral observada agora é alarmante. Uma pessoa com CT alto, acima de 33, apresenta cerca de mil partículas virais por ml. Já indivíduos com CT 24 têm 10 milhões de partículas. Esse número sobe para 1 bilhão de partículas virais por mil no CT 14.

— Essa é uma carga de vírus brutal, capaz de fazer enorme estrago na transmissão. Precisamos vacinar maciçamente, mas o Brasil não tem vacina suficiente nem testa para identificar os infectados. É um momento trágico — frisa Tanuri.

O GLOBO

Opinião dos leitores

  1. Dito “Direita honesta” , se a pesquisa tivesse sido revelada na live das quinta-feiras do seu capitão BostaNaro, vc obviamente teria acreditado. “Lacrador!”

  2. Qual é a sua verdade, Direita Honesta? É a da Record, do SBT ou da Band? Em vez de fazer críticas vazias diga pelo menos o que você pensa sobre o assunto, se é que você tem capacidade de emitir alguma opinião sobre assuntos científicos. Sobre política , ética e honestidade conhecemos bem sua estirpe, a partir das bobagens que você escreve.

  3. O povo ta morrendo com os bolsos cheios de cloroquina e ivermectina e vocês ainda tão nessa? Gente vão cobrar vacina dos políticos.

  4. “Especialista” da UFRJ e artigo da Globolixo. Uma combinação perfeita de “lacração”.

    1. Né isso! O melhor mesmo é se informar pela “ciência” bostejada pelo MINTO e as “pesquisas científicas” divulgadas no “grupin do ZAP”… KKK

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Política

Bolsonaro critica CPI da Covid: “O que menos precisamos é de conflito”

O presidente Jair Bolsonaro deu uma entrevista no final da noite desta 5ª feira (8.abr.2021) à CNN Brasil. Bolsonaro criticou a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, para apurar eventuais omissões de seu governo no combate à pandemia.

Bolsonaro afirmou que o Brasil está “sofrendo demais”. “O que menos precisamos é de conflito. Respeito completamente a Constituição. Não tem um pingo fora das 4 linhas da mesa”, disse. “A população cada vez mais se conscientiza, se interessa por política. Agora, seria bom se todo mundo jogasse dentro das 4 linhas”, declarou.

Nesta 5ª feira (8.abr), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Roberto Barroso, determinou que o Senado deve instalar a CPI da Covid. Depois da decisão, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), anunciou em entrevista que vai instalar a CPI. O senador criticou a determinação. Chamou ordem de “equivocada” e disse que será “palanque político” para 2022.

PROIBIÇÃO DE CULTOS E MISSAS

Bolsonaro também criticou a proibição de cultos e missas presenciais na pandemia. Falou que, em igrejas, a “possibilidade de transmitir o vírus é quase zero”. Nesta 5ª feira (8.abr), o STF decidiu que Estados e municípios podem decretar restrições às atividades religiosas.

O presidente também fez declarações sobre a crise social causada pela pandemia. “Temos um problema sério, que é o vírus, e outro problema, que é o efeito colateral das medidas do ‘fecha tudo’, que é o desemprego e a falta de renda”.

AUXÍLIO É MUITO POUCO, DIZ

Sobre o valor auxílio emergencial, disse reconhecer que é “muito pouco”. A quantia varia entre R$ 150 e R$ 375, a ser pago em 4 parcelas. Bolsonaro disse que quem não quiser receber, “a gente vê uma maneira de aumentar quem está recebendo”. Também declarou: “Por que acontece isso? Na política do ‘fiquem em casa’. O que veio atrás disso? Inflação, desemprego, depressão. É mais gente doente”.

O mandatário também falou sobre o Orçamento para o ano de 2021, aprovado pelo Congresso no final de março. “A gente conversa com lideranças da Câmara, do Senado. Estamos buscando uma solução. Não podemos começar a criticar e acusar”, afirmou.

PODER360

Opinião dos leitores

  1. O negócio era surfar na comoção no Amazonas com o pico dessa segunda onda nacional. A instalação da Comissão mesmo ainda leva um mês, pelo menos. Tempo em que a imunização avança e a onda decresce. Os abutres
    vão ficar sem palanque para chafurdar sobre defuntos

  2. A oposição aprendeu com Bolsonaro e seus filhos a fazer confusão, criar discórdia e atrapalhar os governos. Nojentos!

  3. Está com medo de que? Ele não fez tudo certo? Então a CPI não vai encontrar nada de errado. 😏

  4. “O que menos precisamos é de conflito!” Diz o cara que conflitou com Gustavo Bebiano, Mandetta, Moro, Teich, Pazuello, a mídia, com o STF, com as Forças Armadas, com Pujol, com a OMS, com 27 goverdaores, com os prefeitos, com a VACINA e com metade da população do Brasil. Como definir este homem?

  5. O sujeito que mais cria contenda, que menos apazigua, que é incapaz de conciliar e que sempre vai na contramão, agora diz que não quer conflito. Essa CPI se for levada a sério, vai desnudar esse presidente fajuto,responsavel pela situação atual do país.

  6. Apesar de não acreditar muito na eficácia de CPIs é fundamental que essa investigue e traga ao conhecimento da população todos os desmandos, os do governo federal e aqueles dos estaduais. Sabemos que há motivos de sobra para a destituição e prisão do presidente mas também de vários governadores de estado. Demonstração de covardia e cumplicidade do presidente do Senado a necessidade de interferencia do STF para obriga-lo a fazer sua obrigação.

  7. “O que menos precisamos é de conflito.”
    Agora que tu fala isso, Genocida? Quem não deve, não teme…deixa a CPI rolar… tá com medinho é? 😂😂😂😂😂

  8. Vixe, mas como Bolsonaro está manso. Depois de passar todo o período de seu mandato criando conflitos agora ele não quer mais guerrear. O barco começou a fazer água à muito tempo. Os ratos que pulem fora. O Capitão deve permanecer e afundar junto com sua obra diabólica.

  9. Deixa de mimimi, presidente, o senhor não sente um pingo de empatia pelas famílias que perderam alguém para essa doença aí agora tá com receio dessa CPI, se o senhor fez tudo o que poderia e deveria, não tem porque ter medo.

  10. Mas, é isso mesmo que a oposição quer fazer confusão, criar discórdia, atrapalhar o governo Bolsonaro. E o Brasil que se lasque. Nojentos.

    1. Gostando ou não, essa é uma das funções dos parlamentares, se o presidente fez tudo certo, não vai dar em nada essa CPI, ou o presidente tá com medo de encontrarem algo errado?

    2. Quem não deve, não teme!
      Não era essa cantilena que costumávamos ouvir quando todo o Congresso unido com o Judiciário e a Imprensa se uniram para travar o o segundo mandato de Dilma, sob o comando de Cunha, com o Bolsonaro na turma do Centrão?

  11. HIPOCRISIA TEM NOME E ENDEREÇO!

    Bolsonaro guerreia com moinhos de vento e ameaça população com Forças Armadas.
    Critica o que chama de Ditadura, mas só a dos outros.

    1. O Presidente já falou que não contem com as Forças Armadas para reprimir o povo.

    2. Infeliciano, vc é sempre burro assim ou só quando acorda??

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Saúde

Ritmo da vacinação no Brasil mais que triplicou desde o início da campanha

O Brasil se aproxima da marca de 30 milhões de vacinas contra a covid aplicadas e impressiona que, ao contrário de outros países, continua acelerando e mais que triplicou desde o início da campanha. Segundo o vacinabrasil.org, foram aplicadas cerca de 6,4 milhões de vacinas em fevereiro, numa média diária de 227,9 mil doses.

Esse número subiu para 724,6 mil vacinas aplicadas diariamente nos primeiros dias de abril, alta de 217,9%, apesar desse período incluir um feriado prolongado. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

 

A chegada de insumos para fabricar as vacinas explica que abril já tem quase o mesmo número de doses aplicadas que todo o mês de fevereiro.

A aceleração teve o auge na terça (6) quando foram aplicadas 1,2 milhão de doses, sendo cerca de 900 mil primeiras doses e 300 mil da segunda.

 

O Brasil aplicou 2 milhões de doses em janeiro, 6,3 milhões em fevereiro, 14,3 milhões em março e abril supera a marca de 6 milhões nesta sexta.

DIÁRIO DO PODER

 

Opinião dos leitores

  1. O programa de imunização brasileiro e referência no mundo. O problema foi que um irresponsável mandou produzir cloroquina em detrimento de investimentos em vacina. Mas qdo ele estiver na papuda vai ter muito tempo pra refletir e achar as respostas das perguntas que ele deve se fazer todos os dias: -mas onde foi que eu errei?

  2. Isso porque a população não coopera. Eu Passo nos postos de vacinação como o Via direta e a arena das dunas e estam sempre vazios.

  3. Portanto, o povo quer vacina, porém fatão e sua gang de PTralhas teimam de forma criminosa em segurar as vacinas e nao aplicar de imediato pelo menos a 1a dose no maior número de pessoas possíveis, isso se chama ASSASSINATO.

  4. O governo Bolsonaro está fazendo sua parte. Resta os governadores e prefeitos ajudarem. Deixem de politicagem e TRABALHEM. Ajudem o Brasil.

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Saúde

Brasil aplica um milhão de doses em 24h pela terceira vez em oito dias

O Brasil superou a marca de um milhão de vacinas de covid aplicadas em 24h pela terceira vez em oito dias do mês de abril.

De acordo com os dados atualizados às 21h43* pelo site vacinabrasil.org, comandado pelo Laboratório de Estudos Espaciais do Centro de Pesquisas Computacionais da Rice University, em Houston (EUA), os profissionais de saúde haviam aplicado 28.745.702 doses, contra 27.665.708 do dia anterior.

Ao todo, foram 761.131 pessoas que receberam a primeira dose e o recorde de 318.863 da segunda dose, perfazendo 1.079.994 doses em 24 horas.

 

O Brasil é um dos quatro países do planeta que chegaram à marca do milhão, além de EUA, China e Índia, e é o quinto no número total de vacinados, atrás também do Reino Unido, primeiro país do ocidente a iniciar a vacinação.

*O horário tem como base GMT (Europa), onde já teve início o horário de verão. Assim, o site mostra 22h43, em vez de 21h43.

 

DIÁRIO DO PODER

Opinião dos leitores

  1. Os personagens comentadores desse jornal daria uma tese de doutorado em muitas áreas. Hoje talvez não pela identificação atual com os temas. Quem gosta de pesquisa #fica a dica

  2. Que continue assim! Com um milhão de doses sendo aplicadas por dia, daqui pra janeiro de 2022 poderemos ter uma imunidade vacinal contra covid… Até lá , pelo menos mais uma onda de covid teremos que enfrentar.

  3. Será que a grande mídia militante dará destaque a essa excelente notícia? Duvido. Talvez uma notinha de canto de página e ainda com título “fabricado”. Mas, o governo federal está fazendo sua parte.

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Saúde

Um em cada 3 profissionais de saúde é a favor de medicamentos preventivos contra Covid no SUS, diz estudo

No Brasil, um em cada três profissionais de saúde (33,7%) acredita que o SUS deve utilizar tratamentos contra a Covid-19. Os dados são da quarta fase de uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Fiocruz e a Rede Covid-19 Humanidades. Foram feitas entrevistas virtuais com 1.829 profissionais da saúde pública no Brasil, incluindo médicos, profissionais de enfermagem, agentes comunitários, fisioterapeutas, dentre outros, entre os dias 1 e 20 de março de 2021.

 

Os agentes comunitários são os que mais defendem o seu uso no SUS (40,2%), mas são seguidos pelos profissionais de enfermagem, com 34,3%, enquanto 22,2% dos médicos defendem essa posição.

A pesquisa não é representativa de toda a sociedade por não fazer uma amostra probabilística da população, mas traz alguns aspectos interessantes sobre as percepções da pandemia nessa categoria.,

Pela primeira vez a pesquisa questionou a opinião dos profissionais sobre vacinação é inédita, já que nas etapas anteriores os imunizantes contra a Covid-19 ainda não estavam disponíveis.

Dois em cada três profissionais disseram acreditar que a vacinação contra Covid-19 deve ser obrigatória.

Quando os resultados são desagregados por profissão, a visão que a vacina é uma escolha individual e não deve ser obrigatória é maior entre os agentes comunitários de saúde (42,8%), em comparação com os enfermeiros (27,3%) e médicos (18,2%).

Para Gabriela Lotta, pesquisadora de administração pública e coordenadora do Núcleo de Estudos da Burocracia da FGV, que lidera a pesquisa, surpreende a rejeição de 33% dos profissionais à obrigatoriedade das vacinas por um terço dos profissionais de saúde. “É ainda mais chocante quando pensamos nos 43% dos agentes comunitários de saúde, porque se tem uma coisa que é constantemente dita na saúde pública é como as vacinas são ferramentas importantes de controle de doenças, e são esses os profissionais que vão até as casas das famílias orientar sobre vacinas.”

Lotta explica ainda que a narrativa criada no país em torno da defesa do tratamento precoce, seja pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), seja pelo Ministério da Saúde, pode sustentar em parte a parcela de profissionais de saúde que viam um benefício no “kit Covid”.

Ainda, muitos desses profissionais receberam em seus locais de trabalho orientações para uso desses medicamentos.

Contrariamente, 87% dos participantes disseram ter sido vacinados pelo menos uma dose da vacina, o que condiz com o fato de os profissionais de saúde, principalmente os que atuam na linha de frente de combate à Covid-19, terem sido incluídos nas primeiras fases de vacinação no país.

Mesmo com as primeiras doses do imunizante, quase 9 em cada 10 profissionais da área da saúde relatam ter medo da Covid-19. Segundo o estudo, não há variação dessa percepção de acordo com a região, o que indica um sentimento generalizado de medo e insegurança por toda essa categoria em todo o país.

Nesse contexto, faz sentido que muitos dos profissionais tenham medo não apenas de se infectar, mas também de passar para seus familiares, visto que 96,6% dos entrevistados disseram conhecer algum colega com suspeita ou diagnóstico de Covid-19, e cerca de um terço (31,2%) diz já ter sido infectado.

Segundo dados do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde do dia 4 de março de 2021, foram notificados mais de 144 mil casos de suspeita de Covid-19 entre profissionais de saúde em todo o país, dos quais 39 mil foram confirmados. De longe, a profissão mais suscetível à Covid-19 é a de enfermagem, com o maior registro de casos confirmados —cerca de 30%, ou quase 12 mil casos.

Além de serem os mais vulneráveis para contrair a doença, os profissionais de enfermagem são também os que relatam sofrer mais assédio moral durante a pandemia (24,4%), condicionado muitas vezes a trabalhar ou realizar tarefas sob pressão.

A pesquisa identificou também um problema já reportado anteriormente: a de que 8 em cada 10 dos entrevistados teve sua saúde mental negativamente afetada pela pandemia, sendo que apenas 19% receberam algum tipo de apoio psicológico. “Nós estamos expondo profissionais a problemas de saúde física e mental sem dar apoio algum, exigindo um trabalho sem parar, há doze meses, e sem perspectiva de melhora”, diz.

No pior momento da pandemia, isso agravou a sensação de medo (58,8%), cansaço (57,7%), solidão (26,8%) e desesperança (26,6%). Com todo esse sentimento de esgotamento e ansiedade, ainda há uma parcela significativa (mais de 70% dos profissionais) que diz não ter recebido nenhum tipo de treinamento sobre a melhor forma de agir no atendimento à Covid-19.

A percepção é, portanto, de falta de apoio do governo nas três esferas, embora tenha havido uma piora significativa na esfera federal (de 34,2% na terceira rodada para 75,2% na nova etapa). “Foi a primeira vez também que recebemos críticas da postura do Bolsonaro frente à Covid-19”, afirma.

Por fim, se há desigualdade na pandemia e ela já foi documentada em diversas formas, como maior número de mortes entre negros, ela também atua nos profissionais de saúde, que são em sua maioria mulheres e negras, nas categorias de agentes comunitárias e profissionais de enfermagem (80%), e homens e mulheres brancos entre os médicos (78,8%).

“Aqui se soma raça, gênero e profissão, que é naturalmente vinculada também à raça e gênero, com as mulheres negras mais presentes em profissões com salários mais baixos, menos valorizadas socialmente, e a combinação desses fatores faz com que estas mulheres negras sejam submetidas a condições piores na pandemia em relação às mulheres brancas, que por sua vez estão submetidas a condições piores que os homens brancos”, afirma Lotta.​

FOLHAPRESS

Opinião dos leitores

  1. Infelizmente não funciona assim. Se 100% foram a favor, isso não faz com que os medicamentos apresentem o efeito pretendido contra COVID-19.

  2. Distanciamento social, uso de máscara quando necessário, medidas sanitárias (álcool, lavar as mãos, etc.), investir no sistema público de saúde (abrir leitos é o mais importante) e ESTIMULAR o tratamento precoce, utilizando medicamentos seguros, baratos e que estão apresentando resultados positivos contra o vírus por todo lugar. São essas as medidas eficazes contra a COVID. “Lockdown” não resolve, só atrapalha, criando problemas até piores.

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Política

Orçamento de 2021 ameaça Bolsonaro com mesma pedalada que derrubou Dilma Rousseff

O Orçamento de 2021 deixou o presidente Jair Bolsonaro sem recursos suficientes para o Plano Safra. Foi esse programa que ficou sem repasses da União em 2015 e serviu de base para a queda de Dilma Rousseff (PT). De acordo com membros do governo ouvidos pela Folha, a situação é considerada muito grave. Isso pode gerar acusações de crime de responsabilidade contra o governo, o que pode levar a uma ameaça de impeachment.

O Orçamento foi aprovado pelo Congresso em março, com atraso. O texto precisa ser sancionado até o dia 22 de abril por Bolsonaro. Um dos efeitos mais imediatos é que o Plano Safra 2021/2022 deve ficar travado até que o impasse seja resolvido. Isso afeta um programa que movimenta centenas de bilhões de reais em empréstimos ao setor agrícola, base eleitoral Bolsonaro.

Alertas sobre o problema têm sido feitos nos últimos dias por diferentes técnicos do Ministério da Economia e até pelo secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal. O secretário enviou a colegas da pasta um texto, obtido pela Folha, no qual indica possível crime de responsabilidade de agentes públicos pela situação e demanda providências.

A falta de verbas para o programa ocorreu após o Congresso cortar recursos de diferentes ações obrigatórias na tramitação da proposta. Entre os cancelamentos, estão R$ 2,5 bilhões originalmente destinados ao Plano Safra. O programa ficou com um déficit calculado entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,7 bilhões em relação aos R$ 6 bilhões demandados para 2021. A maior parte das verbas previstas para o Plano Safra é de obrigações já assumidas pela União.

A falta dos devidos pagamentos do Tesouro aos bancos públicos que operam o programa representaria um empréstimo das instituições à União —algo proibido pela LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). Por isso, o Plano Safra não pode ficar sem dinheiro para operações já contratadas.

A LRF diz em seu artigo 36 que “é proibida a operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o ente da Federação que a controle, na qualidade de beneficiário do empréstimo”.

Em 2015, durante a gestão da petista, o Tesouro deixou de pagar R$ 3,5 bilhões ao Banco do Brasil pelo programa (em valores da época). Em valores atualizados pela inflação, o número seria de R$ 4,4 bilhões.

Cinco anos após a queda de Dilma, o Plano Safra volta a gerar preocupações.

Funchal alertou a colegas da pasta que o Tesouro não tem recursos suficientes para compensar os cortes na proporção promovida pelo Congresso e disse que a situação gera “riscos a que estão expostos os agentes públicos da STN [Secretaria do Tesouro Nacional], e consequentemente, do Ministério da Economia”. “Os cortes promovidos durante a tramitação do Orçamento trazem riscos e criam obstáculos para o cumprimento das regras e normas que visam assegurar a responsabilidade fiscal, e podem imputar crime de responsabilidade para as autoridades envolvidas”, diz Funchal no texto enviado aos colegas.

O secretário demanda providências do ministério, inclusive junto ao Congresso Nacional. Ele diz que, sem medida, o cumprimento das normas legais sobre o processo orçamentário pode ficar impossibilitado, “sob risco de responsabilização dos agentes públicos que deram causa à presente situação”.

Estão sendo discutidas diferentes medidas em paralelo para mitigar os cancelamentos. Porém, as ações são consideradas insuficientes até agora.

Está em debate, por exemplo, reduzir em até R$ 300 milhões novas contratações do Plano Safra em 2021 e deixar de publicar portarias liberando novos recursos para o Plano Safra 2021/2022, com impacto inicial de quase R$ 600 milhões.

Como ainda assim restaria um rombo nas contas, foi solicitada uma maneira de o Ministério da Economia recompor as ações do Plano Safra. Ainda não se sabe de que área esse valor poderia sair.

Técnicos avaliam que será necessário um novo projeto de lei para recompor os valores. Mesmo esse remanejamento de verba no Orçamento, no entanto, depende de corte de outras despesas, como recursos para obras que foram elevados pelos parlamentares.

Questionado sobre que medidas serão adotadas para resolver o problema do Plano Safra, o Ministério da Economia afirmou que o Orçamento ainda está em processo de avaliação. “Todos os questionamentos feitos pela reportagem serão analisados em conjunto, dentro do prazo constitucional”, afirma a pasta em nota.

A Constituição dá 15 dias úteis, a partir do recebimento da proposta (31 de março), para o presidente vetar total ou parcialmente o texto. Decorrido o período, o silêncio do presidente significará sanção.

Mesmo que o presidente vete as emendas e envie um novo projeto para recompor as verbas do Plano Safra, caso esse seja o caminho adotado, o governo ainda teria de correr para obter a aprovação do Congresso e remanejar recursos até o meio do ano.

A partir desse prazo, ficaria configurado o empréstimo dos bancos à União conforme determinação anterior do TCU (Tribunal de Contas da União). “Caso tal situação não seja revertida até o término do primeiro semestre de 2021, é importante lembrar que não será possível realizar o pagamento aos bancos públicos federais, caracterizando operação de crédito irregular”, afirma Funchal.

Sem recursos para despesas obrigatórias, o Orçamento de 2021 tem semelhanças com o de Dilma durante o processo de impeachment.

Na época, Dilma também apresentava projeções de receitas que não eram garantidas. Só que agora, no Orçamento que Bolsonaro está para sancionar, técnicos do Congresso dizem que a “contabilidade criativa” foi ampliada —mesmo em relação ao período da petista, criticada pela maquiagem nas contas públicas.

O economista Gil Castello Branco, secretário-geral da ONG Contas Abertas, tem a mesma avaliação. “É um Orçamento extremamente grave.”

Para ele, os artifícios usados anteriormente, como subestimar despesas, não devem mais passar despercebidos. Bolsonaro intensificou a agenda de reuniões com as alas política e econômica do governo em busca de uma solução para o impasse nesta quinta-feira (8).

O alvo de disputa é o valor das emendas parlamentares. Negociações de última hora resultaram num valor de R$ 29 bilhões para as chamadas emendas de relator, pelas quais o senador Márcio Bittar (MDB-AC) distribuiu recursos para diversos estados após acordos políticos.

Guedes defende que todo esse valor seja vetado. O Congresso quer preservar R$ 16,5 bilhões.

FOLHAPRESS

Opinião dos leitores

  1. Centrão é avalista de pedaladas em proveito próprio. Será ótimo assistir o tombo da bicicleta.

  2. Quem acredita na Folha? A história não é essa. Fake para tentar criar um situação de inviabilidade. Não cansam de passar ridículo.

    1. Troca tuas antenas rapaz. Não está captando a realidade. Por muito menos Dilma pegou o beco. O centrão, conselheiro e maior beneficiário, comandado por Lira, Valdemar Neto, Roberto Jefferson, os que atualmente controlam o cabresto do Bozo, desfiguraram o orçamento tirando dinheiro de atras fundamentais para encher a burra dos seus partidos. Deu problema. O presidente sabe que se não corrigir será destituído. E a fidelidade do centrão não é tão grande assim. No meio do caminho irão desistir de carregar o caixão do Bozo.

  3. Ultimamente o MINTOmaníaco tá mais parecido com DilmAnta! Será que vai ter o mesmo destino dela?

  4. Esse orçamento é o resultado da abertura de pernas do presidente p o centrão. Peça bizarra, fictícia que tirou 30 bi da previdência, do auxílio saúde e do seguro desemprego p agradar a turma do Bob Jefferson e cia. Foi aprovado com o conhecimento e as bênçãos de Bolsonaro que agora, ao ver o absurdo que fez, quer colocar a responsabilidade somente no Congresso. Como sempre o Presidente não se responsabiliza por nada.

    1. Não vi, não sei l, isto deve ser de um amigo meu. Frases muitas vezes ditas.

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Saúde

Na pandemia, farmacêuticas vendem remédio com sobrepreço de até 2.500%

Em meio à grave crise econômica e sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), empresas farmacêuticas têm comercializado medicamentos com preços muito acima do limite estabelecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Força-tarefa da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) específica para atuar durante a pandemia de Covid-19 aplicou, entre julho de 2020 e março de 2021, 64 multas a agentes do setor farmacêutico que descumpriram as regras de preço.

 

Comum na maioria dos países, a regulação do mercado de medicamentos no Brasil é feita pela CMED. A Anvisa estabelece um teto de preços para as empresas farmacêuticas de acordo com as paridades nacional e internacional. A partir desse limite, a agência pode aplicar uma multa, que varia de acordo com o tamanho da oferta, por exemplo.

Planilha enviada pela Anvisa ao Metrópoles mostra a atuação da CMED. O sobrepreço constatado chega a 2.500%. Parte desses medicamentos, inclusive, é usada no tratamento do coronavírus, como sedativos e bloqueadores musculares para intubação.

A maior variação no valor de um remédio foi registrada pela Farmater Medicamentos, com sede em Belo Horizonte, em Minas Gerais. A empresa comercializou sulfato de neomicina/bacitracina, usado no tratamento de infecções na pele, a R$ 198 – apesar de o teto estabelecido pela Anvisa para a venda dessa medicação ser R$ 7,62. Ou seja, houve uma oscilação de R$ 2.498,43%.

A empresa foi multada em R$ 38,1 mil, após ter sido autuada em novembro do ano passado. No total, 26 medicamentos foram encontrados pela Câmara de Regulação com valores superiores ao limite legal.

Ao Metrópoles o diretor comercial da Farmater, Helberth Ferreira, ressaltou que a empresa comercializa medicamentos apenas para clínicas e hospitais particulares. Sobre as irregularidades encontradas pela Anvisa, ele disse que os remédios não chegaram a ser vendidos, mas ofertados. “Motivo este pelo qual recolhemos o valor da autuação na esfera administrativa e ajuizamos ação para o ressarcimento do valor recolhido, que corre já em primeira instância”, limitou-se Ferreira.

A Ativa Médico Cirúrgica protagoniza o maior valor em multa num único processo: R$ 4,147 milhões. A empresa vendeu medicamentos com preços até 84% acima da regulação. O Alteplase, usado no tratamento fibrinolítico do infarto agudo do miocárdio, foi comercializado por R$ 4.537, enquanto o teto do remédio é R$ 2.467.

Em nota, o assessor jurídico da distribuidora de medicamentos, Mariano Miranda, ressaltou que, nesse caso, o processo para eventual aplicação da multa está em curso e aguarda novo julgamento. “Acreditamos que haverá revisão do entendimento da CMED, pois a sanção administrativa mencionada se refere a uma suposta venda de produtos que não foi efetivada por nossa empresa”, alega o representante da Ativa Médico.

 

Ele disse, também, entender que a atuação da Anvisa precisa ser realizada “com observância aos princípios da moralidade e razoabilidade que devem pautar as ações administrativas, em especial pelo atual momento em que empresas como a nossa estão envidando todos os esforços para garantir o abastecimento dos serviços de saúde e o cuidado dos pacientes acometidos pela Covid-19”.

Outra empresa com multa milionária é a Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos, uma das distribuidoras que vendem cloroquina ao governo federal. A Anvisa aplicou uma penalização de R$ 1,327 milhão contra a companhia por comercializar analgésicos, como sulfato de morfina e cloridrato de metadona, que podem ser usados para intubar pacientes com Covid-19, a um custo 48% superior ao limite.

A empresa ainda não quitou a multa. Procurado, o laboratório Cristália, do empresário Ogari de Castro Pacheco, não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto.

A Secretaria-Executiva da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos multou empresas do setor farmacêutico, durante a pandemia do novo coronavírus, em R$ 14,9 milhões pela comercialização de remédios acima do preço autorizado. Desse total, no entanto, apenas R$ 159,9 mil (1%) já foram pagos.

O sobrepreço de medicamentos conflita com a escassez desses produtos no mercado nacional, em meio ao agravamento da pandemia do novo coronavírus.

O presidente da Fundação Hospitalar São Francisco de Assis (FHSFA), Paulo Taitson, avalia que tem sido fácil observar esse aumento “substancial” no preço das medicações, sobretudo nas últimas semanas da pandemia, quando o número de mortes por Covid-19 vem batendo recordes quase que diariamente. “Anestésicos, relaxantes musculares e sedativos tiveram um aumento exorbitante. Em média, passa de 600%. Um relaxante muscular, antes da pandemia, custava em torno de R$ 22, e hoje está em mais de R$ 170”, explica o especialista.

 

Na semana passada, segundo Taitson, foi necessário bloquear leitos de terapia intensiva (UTI) diante da falta de medicamentos. Ou seja, existia o leito disponível na unidade de saúde, mas não havia arsenal farmacológico para dar suporte no atendimento do paciente internado.

Por sua vez, o presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, afirma que a atuação da CMED é esperada. “É o que se espera da CMED, que fiscalize o mercado, instaure os devidos processos legais e ouça todas as partes envolvidas, com amplo direito de defesa, para que os fatos sejam esclarecidos e as providências previstas em lei sejam adotadas”, afirma.

Mussolini chama a atenção, contudo, para o aumento dos custos de produção que as empresas do setor tiveram de absorver durante a pandemia. “O processo de produção não é simples. No último ano, tivemos variação de 43% no dólar, por exemplo. Sofremos com aumento de papelão para fazer as embalagens, custo dos fretes, do gás usado nas indústrias. Os custos foram elevados”, disse Mussolini, em nota.

“Claro que isso não justifica vender pelo preço acima do estabelecido pela CMED, mas as indústrias farmacêuticas não deixaram faltar produto no Brasil e cumpriram o papel de entregar à população os medicamentos necessários”, conclui o presidente-executivo do Sindusfarma.

METRÓPOLES

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Saúde

Novo ministro da Saúde defende compra de vacinas pela iniciativa privada

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, esteve no Rio Grande do Sul nesta quinta-feira, 8, onde se disse “vacinado contra intrigas”. Queiroga, que visitou o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, elogiou a diplomacia brasileira em busca de vacinas e negou que o Brasil seja uma ameaça internacional por causa do coronavírus. O novo titular da pasta ainda disse ser favorável à aprovação pelo Congresso de aval para a compra de imunizantes pela iniciativa privada.

Após a visita, em entrevista coletiva, o ministro disse ser favorável à aprovação pelo Congresso da compra de vacinas da iniciativa privada. “Uma vez que existe lei, precisa cumprir. Não vou me manifestar sobre decisões do Congresso Nacional. Lei é para ser cumprida. E se houver apoio da iniciativa privada, melhor.” A Câmara aprovou nesta semana projeto de lei que permite a empresas comprar imunizantes que não tenham registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas tenham aval de autoridades internacionais.

“Não é o momento de ficar ‘ah, porque o privado vai furar a fila’, é preciso parar com isso, vamos nos unir”, declarou Queiroga. Especialistas têm criticado a proposta e fabricantes afirmam que não pretendem negociar com grupos particulares. Questionado, o ministro reafirmou o compromisso de vacinar um milhão de brasileiros por dia. Queiroga ainda elogiou a diplomacia brasileira, através da qual serão garantidos, segundo ele, insumos para a produção das vacinas, especialmente a partir da China.

Ele também rechaçou o título de “ameaça mundial” que o Brasil vem recebendo devido a sua dificuldade em lidar com a pandemia. “Ele [Anthony Fauci, cientista americano que lidera o combate à covid-19 no país] deve cuidador dos Estados Unidos. Do Brasil, cuido eu”, rebateu Queiroga.

O ministro visitou uma ala do Hospital Nossa Senhora da Conceição, inaugurada em março, na zona norte de Porto Alegre, com 55 leitos para pacientes com covid-19, onde anunciou a autorização para a abertura de novos leitos de UTI no Estado. Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para obrigar a União a reativar vagas de terapia intensiva no Rio Grande do Sul e em mais quatro Estados (São Paulo, Bahia, Maranhão e Piauí).

Já sobre o chamado “tratamento precoce”, Queiroga, que é cardiologista, ressaltou que cabe aos médicos a decisão sobre o ministrar ou não medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina, comprovadamente ineficazes contra a covid-19. “Os pacientes precisam ser atendidos de maneira pronta e o tratamento compete ao médico, que é um profissional autônomo e a ele cabe decidir o que é melhor para o seu paciente”, destacou.

Queiroga também foi perguntado acerca da fala do ministro Onyx Lorenzoni de que Estados estariam retendo vacinas. “Não avalio quem está mentindo ou não. Avalio que as políticas públicas têm que chegar a quem precisa delas. Já me vacinei contra a Covid e intrigas”, disse.

Antes de Queiroga, o governador Eduardo Leite (PSDB) classificou como fake news a fala de Onyx. Nesta quarta-feira, 7, o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República utilizou sua conta no Instagram para questionar o porquê de os governadores estarem “retendo” vacinas. “Por que reter vacina? Por que desobedecer a instrução do Ministério da Saúde? E, enquanto o Governo Federal trabalha, você vai ler por aí no pessoal que vive de narrativa que ‘o problema é que não tem vacina'”, escreveu.

Onyx interpretou um decreto do governo gaúcho, publicado em 01 de abril, o qual estabelece a reserva de 10% das doses produzidas pelo AstraZeneca/Fiocruz para as segundas doses. Estiveram presentes no encontro o governador do RS, Eduardo Leite, o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), e os respectivos secretários estadual e municipal de Saúde. Foram apresentados a Queiroga dados sobre a vacinação e as ocupações de leitos em Porto Alegre e no RS.

ESTADÃO

Opinião dos leitores

  1. Da série: “A reforma da previdência vai ser boa p o trabalhador”+ “A pandemia é só uma gripezinha”+ “vão ficar de mimimi até quando ?”+ “Se a gente fizer muita besteira o dólar pode bater a casa dos 5 reais”… Vem aí: “Se os empresários comprarem vacina vc tomará mais rápido”. Confia…

  2. A DIREITA, como representante da Iniciativa Privada desde sempre, não poderia deixar de defender os seus próprios interesses pertencentes a uma minoria da população, já que a esmagadora maioria das pessoas não se enquadram em seus quadros e objetivos e depende exclusivamente do Poder Público, por meio de seus sistemas e programas sociais, econômicos, etc, assim como o SUS, um dos maiores patrimônios do Estado Brasileiro.
    A história de que quando a carne é pouca, meu pirão primeiro, serve para essa situação. Onde quem tem mais força e poder tenta passar na rente dos mais fracos, vulneráveis e necessitados, diante da quantidade de vacinas que não tem sido suficientes para atender a população como poderia fazer se as providências nesse sentido tivessem sido tomadas pelo Ministério da Saúde, com uma instabilidade que já fez caírem 04 (quatro) Ministros, por discordarem do Presidente com suas interferências não baseadas na ciência.
    Até quando a população vai suportar?

  3. A iniciativa privada deve poder adquirir essas vacinas, como ocorrer com todas as outras. Isso iria desonerar o Poder Público e diminuir a fila do SUS, acelerando a vacinação do povo brasileiro.

    1. era para ter um referendo, mesmo que virtual, sobre essa matéria. sou a favor da compra da vacina pelos “ricos”.

    2. As vacinas seriam compradas por EMPRESAS, para vacinar seus colaboradores, e por entidades do ramo de saúde, que poderiam vendê-las (por que não?). Deixar os “ricos” (como vc diz) comprar suas próprias vacinas não atrapalhará os “pobres”. Ao contrário. “Sobrarão” mais vacinas para aplicar nos “pobres”. Isso é lógico.

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Nacional

Apagão atinge novamente o Amapá e deixa 13 de 16 municípios sem luz

Um apagão atingiu pelo menos 13 dos 16 municípios do Amapá na noite desta quinta-feira, 8. O blecaute começou às 18h34. A recomposição da energia foi reiniciada às 19h02, mas parte do Estado ainda está sem luz, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

“O ONS reitera que, assim que identificou o problema, atuou prontamente para restabelecer o mais rápido possível o fornecimento de energia na região. O ONS avaliará as causas da ocorrência junto aos agentes envolvidos”, disse o operador, em nota oficial.

A Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), distribuidora que atua no Estado, informou, em nota, que o apagão não foi causado por problemas de distribuição.

Segundo a empresa, o problema teria ocorrido em uma linha de transmissão de 230 kv no trecho entre Jurupari e Laranjal do Jari, divisa entre o Pará e o Amapá. De acordo com a CEA, houve interrupção do serviço em todo o Amapá, exceto no município de Oiapoque.

“Às 19h30, a CEA recebeu a autorização do Operador Nacional do Sistema (ONS) para recompor os sistemas de distribuição após a normalização do trecho da linha de transmissão. O fornecimento está sendo restabelecido de forma gradativa na capital e demais municípios afetados”, disse a empresa.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) cobrou explicações da concessionária Linhas de Macapá Transmissora de Energia S.A. (LMTE) sobre o apagão.

Em nota, a Aneel informou que a LMTE terá “um dia de prazo” para apresentar esclarecimentos sobre a ocorrência, “incluindo análise preliminar da causa e as medidas que estão sendo adotadas para solucionar o problema e evitar reincidências”.

A LMTE é dona da subestação Macapá, que explodiu e causou um apagão de três dias e mais de 20 dias de racionamento no Amapá em novembro.

A concessionária pertence à Gemini Energy, formada pelos fundos de investimento Starboard e Perfin, que detém 85% de participação na linha. Outros 15% são da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), autarquia do governo federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR).

De acordo com a Aneel, a ocorrência levou ao desligamento de trechos da linha Jurupari/Laranjal/Macapá, da subestação Macapá e das usinas hidrelétricas de Coaracy Nunes, Ferreira Gomes, Cachoeira Caldeirão e Santo Antônio do Jari.

Em nota, a LMTE afirmou que a linha de transmissão Jurupari-Laranjal “sofreu uma ocorrência, instantaneamente resolvida, e cuja a causa está sendo avaliada” Segundo a empresa, a subestação Macapá e os três transformadores da subestação Macapá funcionam sem “intercorrências”.

A concessionária informou que a causa do blecaute ainda está sob avaliação, disse que ocorrências dessa natureza ocorrem “diariamente” no País e atribuiu o problema ao planejamento do setor elétrico – responsabilidade do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Empresa de Pesquisa Energética, estatal vinculada ao MME.

ESTADÃO

Opinião dos leitores

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Geral

Após eventos adversos raros, diversos países restringem uso de vacina Oxford/AstraZeneca

Após a Agência Regulatória da União Europeia (EMA) relatar que existe possível ligação entre a vacina contra covid-19 de Oxford/Astrazeneca a coágulos sanguíneos raros, diversos países restringiram o uso do imunizante. A preocupação de especialistas da saúde é que a onda de desinformação que se criou a partir dessa informação atrapalhe a campanha de vacinação em todo o mundo.

A Itália e a Espanha informaram que só aplicarão o imunizante em pessoas com mais de 60 anos. As regiões espanholas de Castilla e León decidiram suspender totalmente seu uso nesta quinta-feira, 8. A Dinamarca tomou a mesma decisão.

A Bélgica reservou essas doses para quem tem mais de 55. O órgão consultivo de vacinas do Reino Unido foi menos restritivo, mas decidiu também desaconselhar a aplicação em pessoas com menos de 30 anos. A decisão é um revés para a campanha de imunização do país, cujo carro-chefe é justamente o produto da AstraZeneca.

O principal órgão de saúde da França informou que na sexta-feira recomendará às pessoas com menos de 55 anos que já tomaram a vacina da AstraZeneca que recebam uma segunda dose de uma nova vacina, com outro RNA mensageiro. A Filipinas suspendeu o uso para menores de 60 anos e a Austrália para menores de 50.

A comissária de saúde da União Europeia, Stella Kyriakides, pediu que os 27 países do bloco “falem em uma só voz, baseado na ciência, para que não confunda os cidadãos e nem alimente a hesitação em se vacinar.”

Mas não é o que está acontecendo. Na tentativa de contornar o problema, a Alemanha informou nesta quinta-feira que deseja conversar com o governo russo para possível compra da Sputnik V, mesmo sem haver uma decisão da UE sobre esse imunizante.

“Expliquei ao Conselho de Ministros da Saúde da UE que discutiríamos bilateralmente com a Rússia para saber quando e qual quantidade poderiam nos entregar”, informou o ministro da saúde alemão, Jens Spahn. Ele acrescentou que a decisão foi tomada porque a Comissão Europeia não demonstra intenção de comprar a Sputnik V em nome do bloco comunitário.

Especialistas da saúde na Europa tentam transmitir para a população mensagens de que a vacina é segura, pois já foi relatado por médicos na França, Polônia e Croácia que as pessoas estão cancelando a vacinação com o imunizante da AstraZeneca.

“Os riscos parecem ser extremamente baixos com efeito colateral muito raro”, disse o médico Anthony R. Cox, da Escola Farmacêutica da Universidade de Birmingham à BBC. “Devo dizer que o risco é equivalente ao de alguém se afogar durante o banho ou de um avião pousar em sua casa”, acrescentou.

A médica Sabine Straus, presidente do Comitê Regulatório de Segurança da UE, disse que os melhores dados eram da Alemanha, onda havia relato de coágulos para cada 100 mil doses administradas. No Reino Unido, segundo ela, havia ainda menos relatos. A agência de saúde europeia informou que a maior parte dos casos relatados foram em mulheres com menos de 60 anos dentro de duas semanas de vacinação, embora tenha sido capaz de identificar fatores de risco específicos com base nessas informações.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária não restringiu o uso da vacina de Oxford/AstraZeneca. A Anvisa, no entanto, orientou que o laboratório altere a bula do imunizante para que conste a informação de que podem ocorrer tromboembólicas com trombocitopenia. O pedido é para que isso conste no item “Advertência e Precauções” da bula da vacina.

ESTADÃO

Opinião dos leitores

  1. Será se era esses efeitos adversos, que as vacinas poderiam provocar na população, e que testes não foram feito, que o presidente, Prudentemente, ponderava, e a esquerdalha queria passar por cima?, agora está aparecendo seus efeitos, fazendo com que os laboratórios tenham que corrigir, sob pena de sequelas irreversívis nos imunizados?

    1. Pra quem não toma tambem existe uma sequela irreversível que pode acontecer: a morte.

      E aí?!

    2. Votz, agora é válido fazer testes para saber se um medicamento é seguro? Não é aquela coisa de que para evitar morrer tem que se tentar de tudo?

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Economia

Sete de cada dez indústrias não conseguem comprar insumos para produção

As fábricas brasileiras continuam com dificuldades na aquisição de matérias-primas para sustentar a retomada da produção. De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria, mais de 70% das firmas seguem com problemas para conseguir insumos no mercado e a maior parte delas só espera uma melhora no segundo semestre deste ano.

Como mostrou o Estadão/Broadcast em outubro, a indústria brasileira já enfrentava esse gargalo desde o terceiro trimestre do ano passado. Pouco mudou desde então. O porcentual de fábricas da indústria geral com problemas na aquisição de matérias-primas passou de 75% para 73%. Na indústria da construção, a parcela se manteve em 72%.

 

A crise da falta de insumos é independente do preço desses materiais. De acordo com a CNI, 65% das fábricas da indústria geral que usam matérias-primas importadas não conseguem tudo o que necessitam, mesmo pagando mais caro. Na indústria da construção, esse porcentual é de 79% dentre aquelas que trazem insumos do exterior.

A CNI destaca que as expectativas de normalização das cadeias produtivas nacionais foram frustradas. Em novembro do ano passado, 51% das empresas da indústria geral e 49% das firmas da indústria da construção esperavam o retorno ao normal no fornecimento de insumos já no primeiro trimestre de 2021.

Agora, 37% da indústria geral espera uma melhora no segundo trimestre e outros 33% já mudaram suas expectativas para o terceiro trimestre do ano. Na indústria da construção, esses porcentuais são de 33% e 38%, respectivamente. Para 14% da indústria geral e 5% da indústria da construção, a normalização só virá em 2022.

Apesar dos problemas nas compras de insumos se manterem, a parcela de indústrias com dificuldades em atender a quantidade de encomendas dos clientes diminuiu. Na indústria geral, o porcentual passou de 54% para 45%. Já na indústria da construção, apenas oscilou de 31% para 30%.

“Essa desestruturação das cadeias produtivas ainda é resultado das enormes incertezas que a economia atravessou na primeira onda. A compra de insumos pelas empresas foi cancelada e os estoques foram reduzidos, um movimento que atingiu praticamente todas as empresas das cadeias de produção A rápida retomada da economia no segundo semestre de 2020 não foi acompanhada no mesmo ritmo por todas as empresas, o que gerou dificuldades nos diversos elos da cadeia”, avaliou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

A pesquisa da entidade ouviu 1.782 empresas da indústria geral e 436 companhias da indústria da construção.

ESTADÃO

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Geral

Com desgaste de Guedes, centrão e militares defendem desmembramento de Economia

A falta de iniciativa de Paulo Guedes em pedir um ajuste prévio da proposta orçamentária deste ano aumentou a defesa tanto dentro como fora do governo da necessidade de divisão do ministério que chefia, o da Economia. A avaliação compartilhada por integrantes do centrão e pela cúpula militar é que o tamanho da superpasta tem afetado o avanço de projetos na área econômica e o rendimento do ministro.

Como mostrou a Folha nesta quinta-feira (8), apesar de dizer que o prazo para pedir ajustes na proposta orçamentária estava apertado, Guedes teve mais de dois meses para solicitar alterações entre a consolidação de dados e a votação do projeto. A proposta enviada considerava 2,09% para o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Porém, o indicador fechou em 5,45%. Mesmo assim, a pasta da Economia não enviou um comunicado oficial sobre a necessidade de calibrar as despesas.

A necessidade de adequar a proposta criou um impasse entre Economia e Congresso e aumentou a defesa para que a superpasta seja desmembrada, o que poderia concentrar a atuação do ministro em setores estratégicos.

No atual governo, antigos ministérios foram rebaixados para o status de secretarias para serem incorporados pela Economia, como Planejamento, Trabalho e Indústria. Ao todo, a superpasta reúne oito secretarias especiais. A proposta defendida por deputados e senadores seria a recriação de dois ministérios: Planejamento e Indústria.

Além de desafogar o ministro, a mudança abriria mais dois canais de diálogo com a área econômica do governo. Assim, defendem os congressistas, como em governos anteriores, a orientação sobre a política econômica não ficaria concentrada nas mãos de um único ministro, podendo haver um maior debate, por exemplo, sobre medidas fiscais e investimentos públicos.

O tamanho da Economia é criticado desde o início da atual gestão por militares do governo, que a comparam a um elefante pesado e lento. Além disso, a linha liberal de Guedes, rígida com o ajuste fiscal, é avaliada por integrantes do governo como exageradamente ortodoxa.

Para assessores palacianos, a rigidez no controle das contas públicas era crucial na primeira metade do mandato do presidente. Agora, no entanto, com a proximidade da campanha à reeleição, é necessário haver maior investimento em obras públicas.

Além das duas novas pastas, o centrão também tem defendido a recriação de estruturas. Integrantes do PL, por exemplo, pregam que o Ministério da Infraestrutura também seja desmembrado. Em conversas com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), dirigentes da sigla chegaram a pedir que o Ministério dos Transportes fosse recriado. O mandatário, porém, afirmou que a legenda seria contemplada com outra pasta.

A sigla acabou ganhando o controle da Secretaria de Governo, responsável pela articulação política, que passou a ser conduzida pela deputada federal Flávia Arruda (PL-DF), aliada do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

A ideia de desidratar a Economia já foi levada a Bolsonaro em mais de uma oportunidade. Agora, diante da relação conturbada entre Guedes e o Congresso, passou a ser encampada pela base do governo. Segundo assessores presidenciais, porém, Bolsonaro tem dúvidas sobre a iniciativa. O receio do presidente é que uma mudança, nem que seja sob uma justificativa administrativa, possa levar o ministro a deixar o governo.

Em jantar com um grupo de empresários, na noite de quarta-feira (8), apesar de o ministro estar sob fortes críticas do bloco do centrão, Bolsonaro acenou com a permanência de Guedes, pelo menos neste momento.

Em conversas reservadas, Guedes vem afirmando que não aceita que a pasta seja desmembrada. O argumento é que a fusão de ministérios reduziu gastos públicos e aumentou a eficiência dos serviços, reduzindo brigas que antes existiam, inclusive entre os ministros da área econômica.

Mesmo assim, entre militares e congressistas a manutenção de Guedes tanto no governo como em uma pasta do tamanho da atual é considerada uma dúvida, sobretudo pelo ministro ter perdido apoio no Legislativo.

A condução da negociação sobre a proposta orçamentária deste ano foi considerada desastrada por congressistas e por palacianos. Na avaliação deles, o ministro fez acordos com Bolsonaro sem consultar o Congresso.

Na Câmara, os principais líderes do Centrão reclamam que o ministro busca uma solução que envolve vetar recursos que estão na peça orçamentária, inclusive o pedaço que diz respeito à Câmara –daí a forte resistência de Lira. De um modo geral, a reclamação é que Guedes nunca cede à política e insiste em soluções individuais. A opinião é que Bolsonaro precisa urgentemente de um novo interlocutor com o Congresso na área econômica.

Guedes passou a ser chamado, em caráter reservado, de Evergreen, nome da empresa cujo navio bloqueou recentemente o fluxo do Canal de Suez. Para deputados e senadores, o ministro tem impedido acordo para o Orçamento.

A embarcação, de 400 metros de comprimento, encalhou no canal no dia 23 de março, interrompendo uma das rotas comerciais mais importantes do mundo durante seis dias.  O entrave inspirou o centrão a apelidar o ministro com o mesmo nome, numa crítica à resistência de Guedes em aceitar a demanda de deputados e congressistas por emendas no Orçamento e, assim, destravá-lo.

O Orçamento foi considerado inexequível pelo Ministério da Economia por fazer cortes bilionários em gastos obrigatórios, como aposentadorias, para ampliar o valor de emendas parlamentares. Técnicos argumentam que a sanção da peça, tal como está, poderia fazer o presidente incorrer em crime de responsabilidade. Isso abriria caminho para a abertura de um processo de impeachment.

Guedes afirmou nesta quinta-feira (8) que a sanção do Orçamento como está deixa o governo em uma “sombra legal”. Ele disse esperar que Executivo e Congresso cheguem a uma solução para os números após reconhecer a possibilidade de erros “aqui e lá”.

ESTRUTURA ATUAL DO MINISTÉRIO DA ECONOMIA

Secretaria especial de Fazenda (abriga o Tesouro Nacional)
Secretaria especial da Receita Federal
Secretaria especial de Previdência e Trabalho
Secretaria especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais
Secretaria especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados
Secretaria especial de Produtividade, Emprego e Competitividade
Secretaria especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital
Secretaria especial do Programa de Parcerias de Investimentos

PASTAS QUE FORAM INCORPORADAS NA ECONOMIA
Ministério da Fazenda
Era responsável por formular e executar a política econômica. Abrigava o Tesouro Nacional, considerado o cofre do governo, e a Receita Federal, responsável pela cobrança de tributos

Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão
Coordenava as políticas de gestão da administração pública, coordenava o Orçamento e o patrimônio federal e era uma espécie de RH dos servidores

Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
Formulava e executava políticas públicas para promover a competitividade e desenvolver a indústria e o comércio exterior, além de avaliar e aplicar mecanismos de defesa comercial

Ministério do Trabalho
Atuava na fiscalização do trabalho, política salarial, diretrizes para geração de emprego e regulação profissional

FOLHAPRESS

Opinião dos leitores

  1. Talvez seja mesmo uma boa medida. Estruturas “pesadas” costumam ser lentas, como ocorre com tudo na vida.

    1. Querem criar mais ministérios?
      Boa medida é acabar com esse “governo”…

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Nacional

Maioria das empresas de carga dizem que vão fechar no prejuízo em 2021

Quase metade das empresas (42,3%) de transportes de carga acreditam que terão prejuízo em 2021. Esse número dobra entre as empresas de transporte rodoviário de passageiros: 86,7% deles creem que encerrarão o ano no vermelho. Os dados integram pesquisa da Confederação Nacional de Transporte que será divulgada nesta sexta (9).

FOLHAPRESS

Opinião dos leitores

  1. Esse “lockdown” irresponsável está destruindo a economia. Empresas estão quebrando aos montes e, com isso, empregos são destruídos e a cai a arrecadação de impostos. E não há comprovação científica de eficácia contra o vírus. Nenhum estudo sobre o caso.

  2. Continuem em casa a economia a gente vê depois… já dizia o funcionário público com seu emprego garantido, e seu salário em dia.

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Esporte

5 dos 8 participantes das quartas de final de Circuito Mundial de Surfe são brasileiros

O Brasil teve uma ótima quinta-feira (8) na praia de Merewether, em Newcastle (Austrália), onde cinco surfistas do país avançaram para as quartas de final da segunda etapa do Circuito Mundial de Surfe. São eles: Gabriel Medina, Adriano de Souza, Ítalo Ferreira, Deivid Silva e Filipe Toledo.  Os australianos Morgan Cibilic e Ryan Callinan e o americano Conner Coffin completam os 8 finalistas, que devem ir para água nesta sexta-feira. Uma chamada para a continuação do campeonato será feita às 17h45 do horário de Brasília.

O primeiro brasileiro a se classificar foi Gabriel Medina, que superou o português Frederico Morais por 12,93 a 8,33. O bicampeão mundial terá pela frente Adriano de Souza, o Mineirinho, que deixou pelo caminho Julian Wilson, a quem derrotou por 8,40 a 7,10.

Outro duelo entre brasileiros nas quartas de final será o que coloca frente a frente o atual campeão Ítalo Ferreira e Deivid Silva. Para avançar na competição, o surfista potiguar derrotou o norte-americano Griffin Colapinto por 16,93 a 9,83. Já o surfista do Guarujá deixou pelo caminho o japonês Kanoa Igarashi, que superou por 11,93 a 11,80.

O quinto representante do Brasil nas quartas de final será Filipe Toledo, que, após passar pelo também brasileiro Yago Dora, pega agora o norte-americano Conner Coffin.

Com informações da Agência Brasil e Globo Esporte

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Saúde

Sexta e sábado: João Pessoa vacinará pessoas com comorbidades acima de 57 anos e grupo especial a partir dos 18 anos

A Prefeitura de João Pessoa vacinará contra a Covid-19, nesta sexta-feira (9) e no sábado (10), pessoas a partir dos 57 anos de idade com comorbidades e profissionais de saúde da mesma faixa etária. As comorbidades atendidas serão do tipo diabetes mellitus, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, indivíduos imunossuprimidos e pessoas com obesidade grau 3 (IMC >40).

O esquema de vacinação montado para estes dois dias também irá vacinar pessoas de grupo especial – acima de 18 anos – que já fizeram transplante (exceto córnea), seja paciente de hemodiálise ou possua anemia falciforme, segundo informações obtidas pelo ClickPB.

A vacina vai estar disponível em 27 postos de imunização instalados em 23 ginásios de escolas e em quatro no modelo drive thru: no Espaço Cultural, Igreja universal, Santuário Mãe Rainha e Mangabeira Shopping. O atendimento será no horário de 8h às 12h nos ginásios e nos drives de 9h às 15h.

Pessoas com Síndrome de Down ou Transtorno do Espectro do Autismo acima de 18 anos; e aqueles da faixa etária acima de 60 anos também poderão se vacinar nestes dois dias em qualquer dos postos disponíveis.

Agendamento

Para ter acesso à vacina, as pessoas desses grupos de risco devem realizar o agendamento no aplicativo Vacina João Pessoa e, no momento da imunização, deixar um documento que comprove a condição de prioridade: laudo médico, exames ou receitas de medicação.

Documentação

A documentação que comprovará a comorbidade do paciente ou o exercício profissional ficará retida para posterior averiguação por Comissão da Secretaria Municipal de Saúde e demais órgãos de fiscalização, a exemplo do Ministério Público. Quem for tomar vacina deve levar documento oficial com foto, cartão do SUS ou CPF e comprovante de residência. O grupo de pessoas com TEA ou Down também deve levar laudo médico. Para aqueles que vão tomar a segunda dose da vacina é necessário, apenas, apresentar documento oficial com foto e o cartão de vacina Covid.

“É importante que as pessoas que se enquadram nesses grupos de risco já providenciem o documento que comprove sua comorbidade e fique atenta ao calendário divulgado pela Prefeitura para saber em qual momento poderão ser vacinados”, alertou Fernando Virgolino, chefe de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde.

Segunda dose

Quem já puder tomar a dose de reforço do imunizante deve agendar o atendimento através do aplicativo Vacina João Pessoa, para ser atendido em um dos 27 postos de vacinação. No local, devem portar documento de identificação com foto e o cartão de vacinação com a primeira dose.

Transporte gratuito

As pessoas que precisam se deslocar de um bairro a outro para se vacinar podem utilizar o serviço gratuito do aplicativo Uber, parceria da empresa com o Governo do Estado. O código que deverá ser inserido é o VACINAPB e cada usuário só pode inseri-lo uma vez, garantindo a gratuidade para as duas viagens que devem chegar até R$ 25, cada.

Diagnóstico

No Centro de Testagem para Covid-19, instalado na Paróquia São José Operário, no bairro de Cruz das Armas, foram realizados 257 atendimentos nesta quinta-feira (8). Desse total, foram feitos 148 testes SWAB e 109 testes rápidos, com 22 resultados positivos. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h e atende aos moradores da Capital que estejam com sintomas gripais.

Postos de vacinação em ginásios (1ª e 2ª doses) – 8h às 14h

Distrito Sanitário I

Escola Municipal Lynaldo Cavalcanti (Bairro das Indústrias)

Escola Municipal Anayde Beiriz (Bairro das Indústrias)

ECIT Papa Paulo VI (Cruz das Armas)

Escola Municipal Dom José Maria Pires (Oitizeiro)

Escola Municipal Professor Oscar de Castro (Cruz das Armas)

Distrito Sanitário II

Escola Municipal Francisco Pereira (Cristo Redentor)

Escola Municipal Jornalista Raimundo Nonato Batista (Gramame)

Escola Municipal Fernando Milanez (Colinas do Sul)

Escola Municipal Professor Darcy Ribeiro (Funcionários II)

Distrito Sanitário III

Escola Municipal Dom Helder (Valentina de Figueiredo)

Centro Cultural Tenente Lucena (Mangabeira)

Escola Municipal Radegundes Feitosa (José Américo de Almeida)

Escola Municipal Quilombola Antônia do Socorro Silva Machado (Paratibe)

Escola Municipal Professor Afonso Pereira da Silva (Cidade Verde II)

Escola Municipal Olívio Ribeiro Campos (Bancários)

Distrito Sanitário IV

Ginásio Ivan Cantisani (Tambiá)

Escola Municipal Luiz Augusto Crispim (Bairro dos Ipês)

Instituto Federal da Paraíba – IFPB (Jaguaribe)

Escola Municipal Violeta Formiga ( Mandacaru)

Distrito Sanitário V

Escola Municipal Leonel Brizola (Tambauzinho)

Escola Municipal Seráfico da Nóbrega (Tambaú)

Escola Municipal Chico Xavier (Jardim Oceania)

Centro da Pessoa Idosa (Altiplano)

Postos de vacinação drive thru (1ª e 2ª doses) – 9h às 15h

Mangabeira Shopping (Mangabeira)

Santuário Mãe Rainha (Aeroclube)

Igreja Universal do Reino de Deus (Expedicionários)

Espaço Cultural José Lins do Rego (Tambauzinho)

CLICK PB

Opinião dos leitores

  1. Gostaria de entender o motivo da lentidão da vacinação no RN.Será que recebemos menos doses que a Paraiba? Primeiro disseram que estavam guardando doses para reforço mas agora até o reforço parou!

  2. Ao que parece, a Paraíba está dando de goleada no RN no tocante à vacinação. Aliás, com um governo caótico como esse da “professora” Fátima, fica fácil ser melhor.

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Saúde

CPI da Covid poderá ter papel de palanque político e não de investigação, diz Pacheco

Foto: Adriano Machado/Crusoé

Ao confirmar que instalará a CPI da Covid, Rodrigo Pacheco voltou a explicar por que se recusava a abrir a comissão no Senado. Além de “dificuldades operacionais”, por causa das medidas de isolamento, afirmou que ela não poderá substituir os órgãos de investigação.

“Temos também o fato de que, ela por sua natureza, pelo mérito que ela vai tratar de fatos, não se queira acreditar que ela vai poder substituir o papel do Ministério Público, da Polícia Federal, da Polícia Civil, da Controladoria-Geral da União. Não fará esse papel”, disse.

“A CPI poderá ter sim papel de antecipação de discussão político-eleitoral de 2022, de palanque político que absolutamente é inapropriado para esse momento da nação. Essas foram as razões pelas quais, todas elas, de ordem técnica, política, de conveniência, oportunidade e responsabilidade, que me fizeram não instalar a CPI até aqui”, afirmou em seguida.

Com informações de O Antagonista

Opinião dos leitores

  1. Os inimigos do Brasil, a turma que torce sempre pelo pior, está comemorando. Querem apenas tumultuar, atrapalhar, fazer politicagem. Não pensam no Brasil nem muito menos no nosso povo. Nunca foi pela saúde, sempre foi pelo PODER.

  2. E qual foi a CPI que não serviu de palanque? Numa dessas as vezes se descobre muita coisa e a população pode ter acesso a essas informações e a coisa pode ficar feia pra muita gente né?!

  3. 1. Assinatura de 1/3 dos senadores ✅
    2. Apuração de fato determinado ✅
    3. Prazo certo ✅

    Esses aí são os ÚNICOS requisitos para instalação de uma CPI (art. 58, §3º, da Constituição).

    E todos estavam presentes. Barroso determinou que a Constituição fosse cumprida, apenas.

  4. Nosso mito não tem nada a temer. Ele foi quem no mundo todo enfrentou o covid com inteligência e competência.

  5. Porque o ministro Barroso, não manda abrir o pedido do também senador Jorge Cajuru pra impinchar Alexandre de Morais???
    Porque??
    Tá tudo prontinho lá, inclusive acompanhado de um abaixo assinados com mais de dois milhões de assinaturas de brasileiros.
    Isso vai ser só cachorrada e mais nada.
    Pence num cangerê.

  6. Quero ver é se ele vai paltar o impeachment de Alexandre de Moraes. A hora é agora. Pau que bate em Francisco bate em Chico.

  7. STF uma vergonha nacional.
    O país enfrentando uma pandemia, aí vem um fdp desses com essa fuleragem de CPI.
    Vai quebrar o restinho agora das pequenas empresas.
    Isso é uma vergonha!!
    Deixe esse carai pra depois de amenizar o sofrimento do povo, deixem pra quando pelo menos 80% do povo tenha se vacinado e poder tocar a vida, aí vcs seus cabalhas, dão ordem pra instalar umas duzentas CPI, apurem, investiguem e quem for podre que se tore.
    Pqp…
    Imoral!!

  8. A lei é clara. Estando presentes os requisitos tem que instalar. Não é ato dependente da vontade do presidente do Senado.

  9. Está certo o Sen. Rodrigo Pacheco. O que os propositores da CPI querem é palanque. As vezes palanques quebram…….

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